STF retoma julgamento sobre tributação de créditos presumidos de ICMS pelo PIS e pela Cofins

O Supremo Tribunal Federal (STF) retomou, em 1º de outubro de 2026, o julgamento que discute a incidência do PIS e da Cofins sobre créditos presumidos de ICMS concedidos pelos estados e pelo Distrito Federal.

A análise ocorre no Recurso Extraordinário nº 835.818, com repercussão geral reconhecida no Tema 843. O julgamento foi suspenso após a apresentação do relatório do processo e das manifestações das partes e das entidades admitidas na discussão. Até o momento, não há data definida para a retomada da análise, e o mérito permanece pendente de decisão.

O que o STF discute no Tema 843? 

A discussão central do Tema 843 no STF consiste em definir se os créditos presumidos de ICMS devem ser considerados receitas tributáveis para fins de incidência do PIS e da Cofins ou se representam apenas uma redução dos custos tributários das empresas beneficiadas.

Os créditos presumidos são incentivos fiscais concedidos pelos estados para estimular determinadas atividades econômicas. A controvérsia envolve a possibilidade de a União tributar esses benefícios por meio de contribuições federais, considerando seus efeitos econômicos para as empresas.

O que defendem os contribuintes? 

De um lado, a tese favorável aos contribuintes sustenta que o crédito presumido de ICMS representa uma redução de custos, sem caracterizar o ingresso de uma nova receita. Nessa perspectiva, a tributação federal poderia comprometer os efeitos econômicos dos benefícios concedidos pelos estados.

O que defende a União? 

De outro lado, a União defende que a vantagem econômica decorrente do crédito presumido permanece no patrimônio da empresa e, por isso, deve integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins no regime não cumulativo.

Créditos presumidos de ICMS e autonomia dos estados 

Outro ponto relevante é o possível impacto da tributação federal sobre as políticas estaduais de incentivo fiscal. A discussão envolve os limites da atuação da União sobre benefícios concedidos pelos estados e pelo Distrito Federal, especialmente quanto à preservação da autonomia federativa e dos objetivos de desenvolvimento econômico regional.

A definição do STF poderá esclarecer o tratamento tributário aplicável aos créditos presumidos de ICMS e os limites para sua inclusão na base de cálculo das contribuições federais.

Histórico do julgamento do Temas 843 e próximos passos 

O processo já havia sido analisado em ambiente virtual. Na ocasião, a exclusão dos créditos presumidos da base de cálculo das contribuições chegou a reunir seis votos favoráveis, contra cinco pela tributação. Posteriormente, um pedido de destaque transferiu o julgamento para o Plenário presencial.

Com a retomada, as manifestações de ministros aposentados proferidas anteriormente serão preservadas, conforme as informações divulgadas sobre o processo. A conclusão dependerá dos votos restantes e da definição da tese aplicável ao caso.

O que as empresas devem acompanhar? 

Enquanto não houver decisão definitiva a respeito do Tema 843 do STF, empresas que usufruem de créditos presumidos de ICMS devem acompanhar a tramitação e avaliar, com suas equipes tributárias e contábeis, os possíveis impactos sobre a apuração do PIS e da Cofins, considerando o enquadramento fiscal e jurídico de suas operações.

A conclusão do julgamento poderá trazer maior segurança jurídica sobre o tratamento desses incentivos e orientar a condução de discussões administrativas e judiciais relacionadas à matéria.

Referência: Supremo Tribunal Federal – Recurso Extraordinário nº 835.818 – Tema 843 da repercussão geral.

PGFN abre nova negociação de débitos inscritos em Dívida Ativa do FGTS com descontos de até 100% sobre os juros, multas e encargos legais

A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) abriu uma nova oportunidade para negociação de débitos inscritos em Dívida Ativa do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e de Contribuições Sociais instituídas pela Lei Complementar nº 110/2001. As condições estão no Edital de Transação por Adesão PGDAU/PGFN/MF nº 12, de 29 de setembro de 2026.

A negociação permite descontos de até 70%, conforme a modalidade, o perfil do devedor e as condições previstas no edital. Ainda, é possível obter descontos de até 100% dos juros, multas e encargos legais. O objetivo é facilitar a regularização dos débitos, estimular a conformidade e contribuir para a preservação da atividade econômica e a recomposição dos direitos dos trabalhadores.

O período de adesão começa às 8h do dia 15 de outubro de 2026 e segue até as 19h do dia 29 de janeiro de 2027, conforme o horário de Brasília. A negociação será realizada exclusivamente pelo portal Regularize.

Quem pode negociar débitos do FGTS com a PGFN?

Podem ser incluídos na negociação os débitos inscritos em Dívida Ativa do FGTS e das Contribuições Sociais abrangidas pelo edital, desde que o valor consolidado seja igual ou inferior a R$ 45 milhões por sujeito passivo.

Na modalidade de transação de pequeno valor, destinada a pessoas físicas, microempreendedores individuais (MEI), microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP), a inscrição deverá ter ocorrido até 15 de outubro de 2025. Nas demais modalidades, serão elegíveis as inscrições realizadas até 17 de julho de 2026.

As condições variam conforme a capacidade de pagamento do devedor, o grau de recuperabilidade dos créditos, o porte da empresa e a existência de garantias.

Quais são os descontos para negociar a Dívida Ativa do FGTS?

O edital prevê diferentes alternativas para regularização dos débitos, conforme o enquadramento do contribuinte.

ModalidadeCondições previstas
Transação por capacidade de pagamentoDescontos de até 65% sobre o valor total de cada inscrição, conforme a capacidade de pagamento e os critérios aplicáveis.
Capacidade de pagamento para públicos
específicos
Para pessoas físicas, MEI, ME, EPP e outras entidades expressamente previstas no edital, os descontos podem chegar a 70% sobre o valor total da inscrição.
Débitos considerados irrecuperáveisDescontos de até 65%, podendo chegar a 70% para os públicos específicos previstos no edital.
Transação de pequeno valor das Contribuições
Sociais
Transação de pequeno valor das Contribuições
Sociais Para pessoas físicas, MEI, ME e EPP, com débitos de até 60 salários mínimos por inscrição, há possibilidade de desconto de até 50% à vista ou parcelamento com descontos entre 30% e 50%, conforme a quantidade de parcelas.
Débitos garantidos por seguro garantia ou carta
fiança
Negociação sem descontos, com entrada de 30%, 40% ou 50% e saldo parcelado em até 6, 8 ou 12 prestações, respectivamente.

Como funciona o parcelamento dos débitos do FGTS?

Na modalidade por capacidade de pagamento, os débitos podem ser quitados à vista ou parcelados. Na regra geral, o saldo remanescente pode ser distribuído em até 108 prestações mensais, observadas as condições do edital. Para os públicos específicos contemplados, o prazo pode chegar a 133 prestações, respeitadas as regras aplicáveis.

Os descontos incidem sobre os encargos previstos no edital, não sendo permitida a redução dos valores de FGTS destinados aos trabalhadores. Ainda, o edital também não permite a utilização de créditos decorrentes de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL.

É possível negociar apenas parte dos débitos?

Não. A adesão deverá abranger a totalidade das inscrições elegíveis, não sendo permitida a inclusão parcial dos débitos abrangidos pela negociação. Por outro

lado, é possível combinar diferentes modalidades, desde que sejam atendidos os requisitos de cada uma.

Empresas com negociação ativa de FGTS podem migrar?

Empresas que já possuem negociações ativas de débitos do FGTS no âmbito da Caixa Econômica Federal podem solicitar a migração para as modalidades previstas no edital, mediante requerimento no Regularize e apresentação dos documentos exigidos.

O que acontece se a empresa deixar de pagar o acordo?

A formalização do acordo também implica compromissos de regularidade, cumprimento das prestações e observância das obrigações previstas. O inadimplemento ou o descumprimento das condições estabelecidas pode levar à rescisão da transação, à perda dos benefícios concedidos e à retomada da cobrança dos débitos.

O que as transportadoras devem avaliar antes de negociar débitos do FGTS?

Para as transportadoras, a abertura dessa negociação representa uma oportunidade de avaliar a existência de débitos de FGTS e das Contribuições Sociais abrangidas pelo edital e verificar a possibilidade de regularização conforme as condições disponíveis.

Antes de aderir, é importante realizar analisar:

· O valor consolidado dos débitos;

· As datas de inscrição em dívida ativa;

· A capacidade de pagamento da empresa;

· Os compromissos financeiros decorrentes do parcelamento;

· Os efeitos da negociação sobre o fluxo de caixa; e

· A manutenção da regularidade das obrigações trabalhistas.

A equipe da Rumo Brasil pode apoiar a análise dos passivos abrangidos, a avaliação das condições de negociação e a definição de estratégias para regularização, considerando os critérios estabelecidos no edital e a realidade financeira de cada empresa.

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Split Payment: testes da Plataforma Pública começam em outubro de 2026

A implementação da Reforma Tributária sobre o Consumo avança para uma nova etapa com o início dos testes de integração da Plataforma Pública do Split Payment, previsto para 15 de outubro de 2026. A primeira fase, focada na integração entre os Prestadores de Serviços de Pagamento (PSPs) e a plataforma, busca validação técnica e o aprimoramento do sistema antes do início da sua operação.

De acordo com o comunicado publicado em 30 de setembro de 2026, os testes da plataforma serão realizados em ambiente controlado, sem impacto sobre transações comerciais reais ou consumidores. Durante essa etapa, nenhuma operação será processada de forma definitiva pelo Split Payment, e os prestadores participantes não estarão sujeitos a penalidades relacionadas à participação nos testes.

Como participar da fase de testes do Split Payment

Os prestadores de serviços de pagamento interessados em participar da primeira fase dos testes devem procurar sua representação associativa até o final do dia 2 de outubro de 2026, para formalizar a indicação junto à entidade representativa das instituições financeiras.

Para os demais prestadores, as inscrições vão estar disponíveis a partir de 16 de novembro de 2026, por meio de formulário próprio a ser encaminhado diretamente à Receita Federal do Brasil (RFB) e ao Comitê Gestor do IBS (CGIBS), sem necessidade de intermediação por associações.

Os formulários e as respectivas orientações de preenchimento serão disponibilizados a partir de 13 de novembro de 2026.

O que é o Split Payment na Reforma Tributária?

O Split Payment integra o conjunto de mudanças operacionais previstas na Reforma Tributária e envolve a integração dos sistemas de pagamento com os mecanismos de recolhimento dos tributos incidentes sobre o consumo.

Sua implementação depende da integração entre diferentes sistemas e participantes da cadeia de pagamentos, tornando os testes técnicos uma etapa relevante para a validação do funcionamento da plataforma.

Quais são os impactos do Split Payment para as empresas?

Embora a fase de testes não produza efeitos sobre operações reais, o avanço da Plataforma Pública do Split Payment representa uma etapa importante para a validação tecnológica e operacional do modelo. Acompanhar essa implementação será relevante para compreender os possíveis reflexos nos processos financeiros, na conciliação de pagamentos, no fluxo de caixa e na gestão tributária.

Split Payment: impactos para transportadoras e empresas do TRC

No Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), o acompanhamento das mudanças é essencial para que transportadoras, embarcadores e operadores logísticos possam avaliar eventuais necessidades de adaptação de sistemas, rotinas financeiras e controles fiscais.

ANTT reajusta Piso Mínimo de Frete após alta do Diesel S10

A ANTT atualizou os valores do Piso mínimo de Frete para o transporte rodoviário de cargas após revisão do preço de referência do Diesel S10, utilizado no cálculo dos coeficientes.  

A mudança foi estabelecida pela Portaria SUROC nº 22, de 28 de setembro de 2026, publicada no Diário Oficial da União em 29 de setembro. O reajuste dos coeficientes dos pisos mínimos está previsto no Anexo II da Resolução ANTT nº 5.867/2020. 

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Novo preço do Diesel S10 altera cálculo do Piso Mínimo do Frete 

A atualização considera o preço médio nacional do Diesel S10 de R$ 7,33 por litro, referente à semana de 20 a 26 de setembro de 2026. O novo valor substitui a referência anterior de R$ 6,97 por litro, utilizada na atualização realizada em julho de 2026. 

Com a publicação da nova portaria, os coeficientes dos pisos mínimos passam a vigorar com os valores atualizados a partir de 30 de setembro de 2026. 

O que muda na tabela de frete da ANTT? 

A nova tabela contempla diferentes características das operações de transporte. Os valores são definidos de acordo com fatores como: 

  • tipo de carga; 
  • número de eixos; 
  • distância percorrida; e 
  • modalidade de contratação. 

Os coeficientes estão organizados em quatro tabelas, que consideram a contratação da composição veicular ou apenas da unidade de tração, além das operações classificadas como de alto desempenho. 

A atualização abrange diferentes categorias de carga, incluindo carga geral, frigorificada ou aquecida, conteinerizada, granéis sólidos e líquidos, neogranel, produtos perigosos e carga a granel pressurizada. 

Portaria SUROC nº 22/2026 também atualiza Pcomb 

Além da atualização dos coeficientes, a Portaria SUROC nº 22/2026 alterou a referência do Pcomb, que também passa a considerar o preço de mercado do Diesel S10 de R$ 7,33 por litro, conforme o período de apuração estabelecido. 

Para empresas que contratam ou auditam fretes, a alteração exige atenção e atualização dos valores utilizados nas operações abrangidas pela Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas.  

Esse reajuste reforça a importância do acompanhamento das publicações da ANTT e dos parâmetros utilizados para o cálculo do Piso Mínimo de Frete, especialmente para empresas que realizam contratação, conferência e auditoria de fretes. 

CGSN prorroga prazos para opção por Simples Nacional ou regime regular de IBS e CBS

As empresas que já estão ou pretendem ingressar no Simples Nacional têm novos prazos para formalizar a opção de regime de tributação em 2027. Para as empresas que pretendem ingressar no Simples Nacional, a nova data limite para a formalização da opção é 15 de outubro. Já as empresas que estarão enquadradas no Simples Nacional em 2027 têm até 30 de outubro de 2026 para optar pela apuração e pelo recolhimento do IBS e da CBS pelo regime regular, fora da sistemática do Simples Nacional. Os novos prazos foram estabelecidos pela Resolução CGSN nº 194/2026, publicada em 28 de setembro.

Com o novo prazo, as empresas ganham mais tempo para avaliar os efeitos de cada regime, uma decisão relevante para o planejamento tributário e operacional, considerando as características de suas operações e o relacionamento com clientes e fornecedores.

A definição do regime de apuração do IBS e da CBS pode gerar impactos tributários e operacionais, especialmente para empresas que integram cadeias de fornecimento entre pessoas jurídicas. Portanto, a sistemática escolhida pode influenciar a dinâmica de apropriação e transferência de créditos tributários, além de aspectos relacionados ao fluxo de caixa e às relações comerciais.

O que fazer antes de 30 de outubro?

Com o prazo final em 30 de outubro de 2026, a Receita Federal reforça a necessidade de que os contribuintes não deixem a análise para os últimos dias. A decisão sobre o tratamento do IBS e da CBS para 2027 deverá considerar não apenas a carga tributária nominal, mas também os efeitos sobre créditos, operações comerciais, fluxo financeiro e modelo de negócio.

Atenção aos prazos:

  • 15/10/2026: prazo para opção pelo Simples Nacional para o ano-calendário de 2027;

  • 30/10/2026: prazo para opção pelo regime regular de IBS e CBS para o período de janeiro a junho de 2027.

O que a escolha do IBS e da CBS pode mudar para o Transporte Rodoviário de Cargas?

Para o setor de Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), a análise ganha importância diante da estrutura das operações e da relação entre transportadoras, embarcadores e demais integrantes da cadeia logística. A forma de tributação escolhida pode interferir na formação dos preços, na composição dos custos tributários e na dinâmica de créditos ao longo da cadeia. Assim, é necessária uma avaliação individualizada da operação de cada empresa.

Ainda, empresas que identificarem pendências impeditivas para a opção pelo Simples Nacional devem agir dentro do prazo de regularização. A recomendação é realizar a consulta da situação fiscal e cadastral, identificar eventuais impedimentos e acompanhar o processamento do pedido antes do encerramento do período de opção.

Mais de 950 mil empresas já registraram suas solicitações

A Receita Federal divulgou que, até 28 de setembro foram registradas 370.553 solicitações de opção pelo Simples Nacional e 586.675 solicitações pelo regime regular do IBS e da CBS. O balanço, divulgado em 28 de setembro, é referente às solicitações realizadas no âmbito das novas regras relacionadas ao Simples Nacional e à escolha do regime de recolhimento do IBS e da CBS, tributos instituídos pela Reforma Tributária sobre o Consumo.

Entre os pedidos de opção pelo Simples Nacional, 132.131 foram deferidos e 238.422 foram indeferidos. A Receita Federal esclarece, entretanto, que o indeferimento não representa a perda definitiva da possibilidade de enquadramento, uma vez que os contribuintes ainda estão dentro do prazo legal de 30 dias para regularização das pendências impeditivas. Os números divulgados representam o volume de solicitações recebidas até o momento e serão atualizados conforme novos pedidos sejam processados.

Grandes embarcadores terceirizam 85% do transporte de cargas: desafios na gestão da cadeia logística

Transportadoras contratadas como terceiras movimentam 85% do volume de carga dos grandes embarcadores brasileiros. O dado é de uma pesquisa realizada em 2026 com mais de 100 empresas dos setores de indústria, varejo e agronegócio. A frota própria responde por 8% do volume transportado, enquanto caminhoneiros autônomos contratados diretamente representam 7%.

O levantamento mostra o peso das transportadoras na operação dos embarcadores. Quando a maior parte do transporte é terceirizada, a gestão logística depende da escolha e do acompanhamento dos parceiros, da disponibilidade de veículos, do controle de custos e da qualidade do serviço prestado.

O que a terceirização do transporte exige dos embarcadores?

A contratação de uma transportadora transfere a execução do transporte para empresas especializadas, mas não elimina os impactos que eventuais falhas podem trazer para o embarcador. Atrasos, indisponibilidade de veículos, aumento do custo do frete e problemas na operação podem afetar diretamente a produção, os estoques e o atendimento ao cliente.

Quando consideramos os desafios relacionados à disponibilidade de motoristas e à idade da frota brasileira, a terceirização tem um peso ainda maior. Em períodos de maior demanda, a capacidade disponível pode se tornar um fator crítico para a continuidade das operações. Por isso, a contratação de transporte deixa de estar baseada exclusivamente no menor preço.

Piso Mínimo de Frete pressiona os custos da cadeia logística

A pesquisa também aponta que 55% das grandes empresas embarcadoras aumentaram seus gastos com frete rodoviário especificamente em razão da regulamentação do Piso Mínimo do Frete. Outros 9% registraram aumento por fatores diferentes e 35% não identificaram elevação.

Para o Transporte Rodoviário de Cargas, esse cenário reforça a importância de uma gestão cada vez mais estruturada dos custos e da conformidade das operações.

O que os dados significam para as transportadoras?

A elevada participação das transportadoras na movimentação das cargas aponta que a eficiência do embarcador está diretamente relacionada à capacidade de sua rede de fornecedores. Para as transportadoras, esse ambiente representa uma oportunidade de ampliar sua participação na cadeia logística, mas exige maior controle sobre custos, capacidade operacional, documentação, obrigações regulatórias e qualidade do serviço.

Os 7% correspondentes à contratação direta de caminhoneiros autônomos devem ser lidos com cuidado pois o percentual pode não representar, necessariamente, toda a participação desses profissionais na movimentação das cargas dos grandes embarcadores. Parte dos autônomos pode atuar como terceiro das próprias transportadoras contratadas, permanecendo, portanto, inserida em uma etapa posterior da cadeia de prestação do serviço.

O levantamento demonstra, assim, que os grandes embarcadores mantêm uma participação cada vez menor na operação direta dos veículos, enquanto aumentam sua dependência de uma rede de transportadores capaz de garantir capacidade, previsibilidade e cumprimento das exigências operacionais e regulatórias.

Para o TRC, esse movimento reforça a importância da gestão de custos, monitoramento das operações, conformidade com o Piso Mínimo de Frete e governança da cadeia de transporte, especialmente em um cenário de pressão por eficiência e aumento da complexidade regulatória.

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