Programa Nacional de Conformidade Tributária: entenda o PNCT para IBS e CBS em 2026
O Programa Nacional de Conformidade Tributária (PNCT) foi regulamentado para englobar também o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) ainda em 2026.
A regulamentação foi estabelecida pelo Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 5, de 12 de agosto de 2026, elaborado pela Receita Federal do Brasil (RFB) e pelo Comitê Gestor do IBS (CGIBS), ampliando para os novos tributos a sistemática de conformidade que já vinha sendo aplicada a tributos como PIS e Cofins.
Além disso, o programa oferece para as empresas aderentes redução expressiva no prazo de análise e eventual devolução de créditos tributários acumulados. Enquanto na regra geral o período de análise e devolução chega a 120 dias, no PNCT este prazo pode ser reduzido para 30 dias.
Esta facilidade é especialmente relevante para transportadoras que possuem valores expressivos de créditos acumulados, como exportadoras que realizam operações desoneradas, pois a antecipação do ressarcimento pode melhorar o fluxo de caixa e oferecer maior previsibilidade financeira, transformando a conformidade tributária em um benefício com impacto direto na gestão empresarial.
Além do incentivo econômico, o PNCT possui uma finalidade estratégica na implementação da Reforma Tributária: melhorar a qualidade das informações fiscais utilizadas pela administração tributária.
A participação dos contribuintes também deve contribuir para que o poder público tenha uma visão mais precisa da base tributária, auxiliando na elaboração de projeções de arrecadação e estimativas relacionadas às alíquotas de referência do IBS e da CBS.
Programa Nacional de Conformidade Tributária contribui para adaptação à Reforma Tributária
Outro ponto de destaque do PNCT é a chamada “adaptação assistida”, concebida para auxiliar os contribuintes durante o período de implementação das novas obrigações.
Em vez de focar nas penalizações, o programa prioriza a identificação de inconsistências e a comunicação direta com o contribuinte, permitindo que ajustes sejam feitos durante o período de adaptação. Dessa forma, o comportamento ativo da empresa na identificação e regularização de inconsistências assume um papel central dentro da lógica de conformidade.
Para as transportadoras, 2026 consolida-se como uma oportunidade para identificar falhas, ajustar processos e blindar a estrutura fiscal antes da consolidação efetiva da nova sistemática tributária.
O papel dos contadores no período de transição
A participação no programa também reforça a importância do profissional contábil na estrutura de governança.
Entre as responsabilidades relacionadas ao acompanhamento do PNCT estão:
- A verificação da correta emissão dos documentos fiscais;
- A conferência da parametrização dos sistemas (ERPs);
- E o atendimento às comunicações realizadas pela administração tributária.
Nesse cenário, o contador deixa de atuar apenas no cumprimento das obrigações acessórias e assume uma função estratégica na governança, prevenção de inconsistências e gestão do risco tributário.
A integração entre transportadora, contabilidade, tecnologia e área tributária torna-se especialmente importante diante da complexidade da transição para o IBS e a CBS.
CBS e IBS terão programas de conformidades independentes
Embora IBS e CBS façam parte da mesma Reforma Tributária, os respectivos programas de conformidade funcionarão, inicialmente, de maneira autônoma:
- CBS: ficará sob responsabilidade da Receita Federal
- IBS será administrado pelo Comitê Gestor do IBS
Isso significa que uma transportadora poderá apresentar uma classificação de conformidade favorável em relação à CBS e, simultaneamente, não possuir a mesma classificação perante o IBS.
Os benefícios obtidos em um programa não serão automaticamente transferidos para o outro, inclusive aqueles relacionados ao ressarcimento acelerado de créditos.
Embora a regulamentação preveja uma integração operacional futura, inclusive mediante compartilhamento de determinadas informações, neste primeiro momento, permanecem avaliações, critérios e procedimentos próprios para IBS e CBS.
Adesão ao PNCT é estratégica e voluntária
A ampliação do PNCT demonstra que a transição para o novo sistema tributário exige uma profunda adaptação operacional e tecnológica das transportadoras e não apenas uma simples alteração das alíquotas e da substituição gradual dos tributos atuais.
Documentos fiscais, sistemas, cadastros, processos internos, controles e equipes precisam estar preparados para as novas exigências.
Assim, mais do que um mecanismo de fiscalização, o Programa Nacional de Conformidade Tributária sinaliza uma mudança na relação entre contribuinte, contador, tecnologia e Fisco, na qual a qualidade das informações, a capacidade de correção e a governança tributária passam a ter importância ainda maior.
A participação no programa não é obrigatória e transportadoras participantes podem optar por não aderir a determinadas modalidades ou mecanismos de antecipação previstos na regulamentação.
Entretanto, para as transportadoras que pretendem se beneficiar das condições diferenciadas, a adesão exige atenção à manutenção da regularidade fiscal e ao cumprimento dos requisitos estabelecidos.
Assim, o programa cria um incentivo para que as transportadoras antecipem a adequação de seus sistemas, documentos fiscais, cadastros, processos e governança tributária, especialmente diante da aproximação da entrada efetiva do novo sistema.