ESG

BNDES financia corredor verde com biometano e impulsiona descarbonização no transporte de cargas

A busca por um transporte mais sustentável já não é mais uma tendência distante, ela começa a se materializar em projetos concretos no setor logístico. Um exemplo recente vem do financiamento aprovado pelo BNDES para a criação de um corredor verde no estado de São Paulo, com foco na descarbonização do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC).

O investimento, que soma R$ 140 milhões, será destinado a uma transportadora de São Paulo e prevê a modernização da frota da empresa com foco em combustíveis limpos. Do total financiado, R$ 98 milhões são provenientes do Fundo Clima e R$ 42 milhões da linha BNDES Máquinas e Serviços, cobrindo cerca de 92% do investimento total.

 O projeto envolve a construção de três postos de abastecimento de biometano nas cidades de Sumaré, Cubatão e Ribeirão Preto, além da aquisição de 100 caminhões pesados movidos a biocombustível. A operação desses postos não será exclusiva: outras transportadoras também poderão utilizar a estrutura, o que amplia o impacto da iniciativa e contribui diretamente para o fortalecimento da infraestrutura de combustíveis renováveis no país.

O fornecimento de biometano ficará a cargo da Ultragaz, reforçando a integração entre produção e consumo de energia limpa dentro da cadeia logística.

O que esse projeto sinaliza para o setor de transporte

O corredor verde indica uma mudança estrutural no TRC. A viabilidade de corredores sustentáveis, somada ao uso crescente de biocombustíveis em larga escala, aponta para um novo padrão operacional no setor.

Outro ponto relevante é o modelo de infraestrutura compartilhada. A abertura dos postos para outras transportadoras sugere um caminho de maior integração entre players e até mesmo entre diferentes modais logísticos, criando oportunidades de ganho de eficiência e escala.

No médio prazo, iniciativas como essa tendem a gerar benefícios concretos, como redução de emissões, ganhos de eficiência energética e potencial diminuição de custos operacionais.

ESG deixa de ser tendência e vira estratégia

Para as transportadoras, o avanço desse tipo de projeto reforça uma mudança importante: práticas alinhadas ao ESG deixaram de ser apenas uma agenda reputacional.

Hoje, elas impactam diretamente a competitividade das empresas, influenciando o acesso a financiamentos, o atendimento a exigências regulatórias e até a preferência de grandes embarcadores.

Empresas que se antecipam a esse movimento tendem a se posicionar melhor em cadeias logísticas cada vez mais pressionadas por metas de descarbonização. Além disso, fortalecem sua resiliência e ampliam seu valor de mercado em um cenário econômico cada vez mais orientado por critérios sustentáveis.

Consulta pública

Receita Federal abre consulta pública para alterar Instrução Normativa que trata do Adicional da CSLL

A Receita Federal do Brasil abriu, no dia 17 de abril de 2026, uma consulta pública para discutir a atualização da Instrução Normativa RFB nº 2.228/2024, que trata da apuração e do recolhimento do chamado Adicional da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).

Os interessados poderão enviar contribuições até o dia 3 de maio de 2026.

Entenda o que é o Adicional da CSLL

O Adicional da CSLL foi instituído pela Medida Provisória nº 1.262/2024 e posteriormente convertido na Lei nº 15.079/2024. A medida faz parte do movimento de adaptação do Brasil às regras internacionais de tributação mínima, conhecidas como GloBE (Global Anti-Base Erosion Rules).

Esse mecanismo permite que o Brasil tenha prioridade na cobrança de um tributo complementar aplicado a grupos multinacionais, especialmente em casos em que há baixa tributação no país.

De acordo com a Receita Federal, a regulamentação precisa passar por atualizações constantes para acompanhar as diretrizes internacionais e garantir que o Adicional da CSLL continue sendo reconhecido como um Tributo Complementar Mínimo Doméstico Qualificado (QDMTT).

A proposta apresentada busca incorporar parte das Orientações Administrativas aprovadas pela OCDE em janeiro de 2026, além de esclarecer pontos relevantes sobre a aplicação das regras.

O que muda com a proposta

A consulta pública traz atualizações importantes, principalmente relacionadas à Regra Simplificadora GloBE para Incentivo Fiscal Baseado na Substância (RSGIF).

Entre os principais pontos abordados, estão:

  • Definição de incentivo fiscal qualificado;
  • Tratamento de incentivos baseados em gastos e produção;
  • Critérios de mensuração desses gastos e quantidades produzidas;
  • Regras para crédito de tributo reembolsável qualificado;
  • Utilização dos incentivos no ano fiscal;
  • Limites relacionados à substância econômica.

As mudanças propostas devem entrar em vigor a partir de 1º de janeiro de 2026.

Segundo a Receita Federal, a abertura da consulta pública reflete tanto a complexidade da adaptação às normas internacionais quanto o compromisso com a segurança jurídica.

A participação de empresas, especialistas e instituições acadêmicas é vista como essencial para aprimorar a regulamentação e garantir maior clareza na aplicação das regras.

As contribuições devem ser enviadas preferencialmente em formato PDF, contendo posicionamento claro sobre concordância ou discordância dos pontos apresentados, além de sugestões de melhoria e indicação de eventuais lacunas regulatórias.

Oportunidade para contribuintes

A consulta pública representa uma oportunidade estratégica para que empresas impactadas participem diretamente da construção normativa, especialmente diante da crescente integração do Brasil às regras globais de tributação mínima.

Na Rumo Brasil, acompanhamos de perto as mudanças tributárias que impactam o setor empresarial, especialmente no contexto da Reforma Tributária e da adoção de padrões internacionais. Nosso time atua de forma estratégica para orientar empresas na adaptação a novas exigências, garantindo segurança jurídica e eficiência fiscal.

Simples Nacional 2027: CGSN define prazos e abre nova escolha sobre IBS e CBS

A Resolução CGSN nº 186, publicada em 9 de abril de 2026, trouxe definições relevantes para microempresas (ME) e empresas de pequeno porte dentro do contexto da Reforma Tributária.

Além de regulamentar o prazo de adesão ao Simples Nacional para 2027, a norma introduz um ponto de atenção importante: a possibilidade de optar pela apuração do IBS e da CBS fora do regime simplificado, ainda durante o período de transição.

Para o Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), isso representa mais uma decisão estratégica que deve ser analisada com antecedência.

As empresas interessadas em optar pelo Simples Nacional deverão realizar a solicitação entre 1º e 30 de setembro de 2026, exclusivamente pelo Portal do Simples Nacional.

A adesão passa a valer a partir de 1º de janeiro de 2027. Caso a empresa mude de estratégia, será possível cancelar a opção até o final de novembro de 2026. Após esse prazo, a decisão não poderá ser revertida.

IBS e CBS fora do Simples: o que muda

Um dos principais pontos da resolução é a possibilidade de empresas do Simples Nacional optarem por apurar o IBS e a CBS pelo regime regular entre janeiro e junho de 2027.

Essa escolha deve ser feita dentro do mesmo prazo da adesão ao Simples.

Isso significa que esses tributos deixam de ser recolhidos dentro do Simples durante esse período. O impacto está na forma de apuração e, principalmente, na possibilidade de aproveitamento de créditos, um fator cada vez mais relevante no novo modelo tributário.

Caso o pedido de adesão ao Simples Nacional seja indeferido, a empresa terá até 30 dias para regularizar pendências, incluindo débitos tributários.

Após a regularização, o pedido será automaticamente aceito, o que reduz o risco de exclusão definitiva por questões operacionais.

Empresas que iniciarem suas atividades entre outubro e dezembro de 2026 poderão fazer a opção pelo Simples Nacional, e também pelo regime regular do IBS e CBS, já no momento da inscrição.

Os efeitos variam conforme o enquadramento, podendo ser imediatos ou válidos para 2027.

Importante: A resolução não altera as regras para microempreendedores individuais (MEI), que continuam seguindo o regime atual do SIMEI.

O que o TRC precisa considerar agora

Para o setor de transporte, a decisão deixa de ser apenas “estar ou não no Simples”.

Com a possibilidade de separar a apuração do IBS e da CBS, surge um novo nível de análise. Dependendo da operação, optar pelo regime regular pode gerar ganhos com créditos, ou aumentar a carga tributária.

Empresas com margens mais apertadas, operações pulverizadas ou inseridas em cadeias mais longas tendem a sentir esse impacto com mais intensidade.

Por isso, o momento exige mais do que acompanhamento: exige planejamento.

Mesmo com efeitos apenas em 2027, a decisão precisa ser tomada ainda em 2026.

Simulações, revisão de enquadramento e análise do perfil operacional da empresa serão fundamentais para evitar escolhas que comprometam a competitividade no novo sistema.

Continue acompanhando os desdobramentos

As regras da Reforma Tributária seguem avançando e novas definições devem impactar diretamente a forma como o TRC apura seus tributos.

Acompanhar essas atualizações e entender seus efeitos práticos é essencial para evitar riscos e identificar oportunidades ao longo da transição.

Estados se posicionam sobre exclusão do IBS e CBS da base do ICMS em 2026

A implementação da reforma tributária, instituída pela Emenda Constitucional nº 132/2023 e regulamentada pela Lei Complementar nº 214/2025, trouxe uma série de dúvidas operacionais para empresas em todo o país, especialmente no primeiro ano de transição.

Um dos principais pontos de atenção em 2026 é a definição sobre a inclusão (ou não) do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) na base de cálculo do ICMS durante o período de testes das novas alíquotas.

Sem uma regulamentação nacional uniforme sobre o tema, os estados passaram a se manifestar individualmente por meio de consultas, resoluções e comunicados oficiais.

Entendimento predominante: IBS e CBS fora da base do ICMS em 2026

O posicionamento que vem se consolidando entre diferentes unidades da federação é de que em 2026, IBS e CBS terão caráter exclusivamente informativo, sem cobrança efetiva.

Isso significa que esses tributos não devem compor a base de cálculo do ICMS neste primeiro momento da transição.

Diversos estados já formalizaram esse entendimento.

Em Pernambuco, a Secretaria da Fazenda esclareceu, por meio de nota oficial e da Resolução de Consulta DLO nº 39/2025, que IBS e CBS não terão exigibilidade financeira em 2026, afastando sua inclusão na base do ICMS.

No Piauí, a Comunicação SEFAZ nº 2/2025 reforçou que os valores destacados de IBS e CBS não representam ônus ao contribuinte, e, por isso, não integram o montante das operações.

Santa Catarina seguiu a mesma linha. Em manifestação oficial, destacou que, durante o período de alíquotas-teste, não há valores financeiros vinculados a esses tributos, o que impede sua inclusão na base do ICMS.

São Paulo também consolidou esse entendimento em respostas a consultas publicadas entre 2025 e 2026, deixando claro que não haverá aumento de carga tributária relacionado ao IBS e à CBS neste período.

No Distrito Federal, a interpretação foi fundamentada diretamente na legislação da reforma, reforçando que, em 2026, os tributos não devem compor a base do ICMS, mas sinalizando mudança a partir de 2027, quando passam a ser exigíveis.

A Bahia trouxe uma análise mais ampla ao detalhar o comportamento dos tributos ao longo da transição. O estado indicou que:

  • Em 2026, não há recolhimento efetivo de IBS e CBS;

  • Entre 2027 e 2028, ocorre uma compensação entre os tributos;

  • A mudança mais relevante acontece a partir de 2029, com impacto mais direto na base de cálculo.

Alagoas, embora tenha indicado a possibilidade de inclusão em cenários futuros, também alinhou seu entendimento para 2026, excluindo IBS e CBS da base do ICMS neste primeiro ano.

No Estado do Rio de Janeiro, embora o entendimento ainda não esteja consolidado por meio de norma geral vinculante, recente manifestação administrativa na Consulta de Contribuinte nº 020/2026 reforça a mesma linha interpretativa predominante para o exercício de 2026.

Na resposta, a autoridade fiscal reconhece que, diante da dispensa de recolhimento do IBS e da CBS, os valores destacados possuem caráter meramente simbólico e não geram ônus ao adquirente. Por essa razão, conclui que tais valores não compõem o valor da operação e, consequentemente, não devem integrar a base de cálculo do ICMS em 2026. Contudo, o próprio fisco fluminense sinaliza alteração desse entendimento a partir de 2027, quando os tributos passarem a ser efetivamente exigíveis, momento em que poderão ser incorporados à base do imposto estadual.

O que isso significa para o TRC

Para o setor de Transporte Rodoviário de Cargas, esse alinhamento entre os estados traz um efeito prático importante.

A exclusão do IBS e da CBS da base de cálculo do ICMS em 2026 evita uma elevação artificial da carga tributária sobre fretes e operações logísticas. Isso permite que as transportadoras atravessem o início da transição com maior previsibilidade, sem impacto imediato na formação de preços.

Na prática, o setor ganha tempo para adaptação às novas regras, ajustando processos, sistemas e estratégias tributárias de forma gradual.

E os estados que ainda não se manifestaram?

Estados como Acre, Amapá, Amazonas, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Paraná, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, Sergipe e Tocantins ainda não divulgaram posicionamentos formais até o momento.

Mesmo assim, a tendência é que sigam o entendimento já consolidado pelos demais estados, considerando o caráter não oneroso e meramente informativo do IBS e da CBS em 2026.

O cenário atual indica uma convergência importante entre os estados: a exclusão do IBS e da CBS da base de cálculo do ICMS no primeiro ano da Reforma Tributária.

Para o TRC, isso representa um alívio inicial e uma oportunidade estratégica de adaptação, antes que os efeitos financeiros da nova estrutura tributária passem a impactar diretamente as operações.

O TRC na Reforma é um portal dedicado a acompanhar, interpretar e traduzir os impactos da reforma tributária no TRC. Nosso objetivo é levar informação clara, atualizada e aplicável à realidade das transportadoras, apoiando empresas na tomada de decisão em meio às mudanças do sistema tributário brasileiro.

Receita Federal atualiza regras e pode rejeitar notas com erro no IBS e CBS

A Receita Federal, em conjunto com o Comitê Gestor do IBS (CGIBS), publicou em 15 de abril de 2026 a versão 1.50 do Informe Técnico 2025.002. atualização traz mudanças importantes nas tabelas de classificação tributária relacionadas ao IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e à CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços).

Essas alterações impactam diretamente a forma como as empresas devem preencher os documentos fiscais eletrônicos (DF-e), exigindo ainda mais atenção à correta classificação das operações.

A nova versão consolida ajustes na tabela de Código de Classificação Tributária (cClassTrib), além de atualizações nas tabelas de CST e de crédito presumido.

Entre os principais pontos, estão:

  • Criação de novos códigos de classificação tributária;

  • Atualização de regras de validação nos documentos fiscais;

  • Inclusão de novos enquadramentos específicos, como operações com etanol anidro e fornecimento por cooperativas;

  • Alterações na habilitação de códigos conforme o tipo de documento fiscal.

Essas mudanças ampliam o nível de detalhamento exigido nas informações fiscais e reforçam a necessidade de consistência nos dados declarados.

Classificação correta passa a ser decisiva

Com a evolução do modelo tributário, os documentos fiscais passam a exigir o preenchimento correto dos códigos “CST-IBS/CBS” e “cClassTrib” em cada item da operação.

Esses códigos representam a interpretação legal da operação, conforme previsto na Lei Complementar nº 214/2025. Ou seja, indicam exatamente como o contribuinte está aplicando a tributação.

Isso muda o peso dos erros de classificação. O que antes poderia ser tratado como um equívoco formal agora pode gerar:

  • Rejeição automática de documentos fiscais;

  • Inconsistências na apuração dos tributos;

  • Riscos fiscais mais elevados.

Outro destaque da atualização é o avanço no modelo de fiscalização. As tabelas passam a incorporar indicadores que definem se determinados campos nos documentos fiscais são obrigatórios, permitidos ou proibidos.

Isso aumenta o nível de controle da administração tributária e reduz a margem para erros ou interpretações inconsistentes.

Além disso, o Informe Técnico reforça que essas tabelas serão fundamentais para garantir a conformidade tributária, inclusive com disponibilização em formato online e integração com sistemas oficiais de cálculo de tributos.

A versão 1.50 já conta com cronograma definido, com previsão de entrada em ambiente de produção até maio de 2026.

Esse prazo reforça a necessidade de adaptação rápida por parte das empresas, especialmente na revisão de cadastros, parametrizações fiscais e processos internos.

Diante desse cenário, fica claro que a classificação tributária passa a ser um dos pontos mais críticos da operação fiscal no novo modelo.

Será essencial garantir que as equipes estejam preparadas para interpretar corretamente as regras e aplicar os códigos adequados em cada operação.

Split payment enfrenta desafios técnicos na Reforma Tributária

A implementação do split payment, mecanismo que prevê a separação automática dos tributos no momento da liquidação financeira, ainda enfrenta desafios relevantes no contexto da reforma tributária.

Segundo representantes do Comitê Gestor, o modelo exige alta integração entre sistemas fiscais e financeiros, além de grande capacidade operacional. Estimativas indicam que o volume de transações pode ser significativamente superior ao registrado atualmente, evidenciando a complexidade da operação.

Outro ponto de atenção está nas diferenças de infraestrutura entre regiões do país, o que pode impactar a aplicação uniforme do sistema.

Apesar disso, o avanço da regulamentação segue em curso, com etapas importantes já em fase final de consolidação.

Para as empresas, especialmente do setor de transporte, o cenário reforça a necessidade de acompanhar de perto as definições e se preparar para um modelo tributário mais integrado e tecnológico.

Leia a análise completa no portal TRC na Reforma e entenda os impactos para o seu negócio.

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