RNTRC suspenso

RNTRC suspenso: quais são os motivos e como regularizar a situação?

O Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) é obrigatório para transportadores que realizam transporte rodoviário remunerado de cargas, conforme as regras da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Quando o registro é suspenso, a transportadora pode enfrentar restrições operacionais e riscos de penalidades.

Em setembro de 2026, a ANTT anunciou procedimentos para suspender cautelarmente o registro de empresas que descumprem reiteradamente a política de pisos mínimos de frete. A medida reforça a importância de acompanhar as obrigações regulatórias e manter o cadastro regular.

Mas quais são os motivos para a suspensão do RNTRC e o que fazer para regularizar a situação?

Quais são os motivos para a suspensão do RNTRC?

A suspensão pode ocorrer por diferentes razões, conforme a situação cadastral do transportador e as medidas administrativas aplicáveis.

Entre os principais motivos estão:

  • Falta de revalidação cadastral: o não atendimento aos procedimentos de revalidação ordinária exigidos pela ANTT pode levar à suspensão do registro.
  • Irregularidades cadastrais: informações desatualizadas ou o descumprimento de requisitos específicos da categoria podem exigir correções.
  • Descumprimento do piso mínimo de frete: a ANTT anunciou, em setembro de 2026, procedimentos de suspensão cautelar para empresas com reincidência nas infrações à política de pisos mínimos, observados os critérios regulamentares.
  • Medidas administrativas: irregularidades identificadas em fiscalizações ou processos administrativos podem resultar em restrições ao registro, conforme a legislação aplicável.

É importante identificar a causa exata da suspensão, pois cada situação pode exigir procedimentos diferentes para regularização.

O que acontece quando o RNTRC está suspenso?

A suspensão restringe o exercício regular do transporte rodoviário remunerado de cargas enquanto a medida estiver vigente. Além disso, pode comprometer contratos, gerar dificuldades operacionais e aumentar os riscos financeiros da transportadora.

Por isso, consultar periodicamente a situação do registro e acompanhar as notificações da ANTT são medidas importantes para evitar que uma pendência comprometa a operação.

Como regularizar um RNTRC suspenso?

O procedimento depende do motivo da suspensão. Em geral, a transportadora deve:

  1. Consultar a situação cadastral: acesse os serviços oficiais da ANTT para verificar o status do registro.
  2. Identificar a pendência: confira se a suspensão está relacionada a dados cadastrais, revalidação ou processo administrativo.
  3. Regularizar a situação: corrija as informações ou cumpra as exigências aplicáveis ao caso.
  4. Acompanhar o procedimento: se houver autuação ou processo administrativo, verifique as notificações, os prazos e as medidas cabíveis.
  5. Confirmar a reativação: consulte novamente o registro antes de retomar as operações.

A ANTT disponibiliza orientações para consulta e regularização do RNTRC em seus canais oficiais. Em casos de suspensão por falta de revalidação ordinária, a agência prevê a possibilidade de reativação gratuita, conforme os requisitos aplicáveis.

Consulte o RNTRC Digital para verificar a situação do registro.

Como evitar uma nova suspensão?

A prevenção exige acompanhamento contínuo das obrigações regulatórias. Para reduzir os riscos, a transportadora deve manter os dados cadastrais atualizados, monitorar notificações da ANTT, conferir os valores praticados em relação ao piso mínimo de frete e organizar documentos e informações das operações.

Também é importante acompanhar as mudanças na regulamentação e estabelecer controles internos para identificar pendências antes que elas comprometam a atividade.

Manter o RNTRC regular é fundamental para a continuidade do TRC. Como a suspensão pode decorrer de diferentes motivos, identificar a origem da restrição é o primeiro passo para buscar a regularização.

Além de corrigir pendências, as transportadoras precisam acompanhar suas obrigações cadastrais e regulatórias de forma preventiva. A Rumo Brasil apoia empresas do setor na gestão de riscos e no aprimoramento dos controles, contribuindo para operações mais seguras e eficientes.

Precificação do frete

Precificação dos fretes em 2027: a decisão que as transportadoras precisam tomar até 30 de outubro

Por: Rafael Brito, CEO da Rumo Brasil



Transportadoras do Simples Nacional têm até 30 de outubro para decidir como recolher a CBS e o IBS no primeiro semestre de 2027. A escolha pode afetar não apenas a tributação, mas também a competitividade na contratação de fretes.

Essa decisão vai além dos impostos pagos pela empresa. Com a Reforma Tributária, o crédito fiscal gerado na contratação de um frete poderá influenciar a escolha dos fornecedores e, consequentemente, a competitividade de cada transportadora.

Minha avaliação é que o setor precisa começar a tratar a tributação como parte da estratégia de precificação.

A partir de 2027, as empresas do Simples Nacional poderão manter a CBS e o IBS no recolhimento unificado ou optar pela apuração desses tributos pelo regime regular, no modelo conhecido como Simples Nacional híbrido.

No primeiro caso, os créditos que o contratante poderá aproveitar serão limitados às condições previstas para o regime. Na opção híbrida, a apuração regular permitirá a geração de créditos conforme as regras da CBS e do IBS.

Para entender a dimensão dessa mudança, basta comparar as estimativas apresentadas para os diferentes perfis de transportadores.

Atualmente, a contratação de um transportador autônomo de cargas (TAC) ou MEI pode gerar, em determinadas condições, créditos de PIS e Cofins de 6,93%. A partir de 2027, esse cenário muda. 

As projeções discutidas para o novo sistema indicam créditos entre 0,92% e 4% para empresas do Simples Nacional que permanecerem no modelo regular, com percentuais que podem ficar próximos de 2% em determinados casos. Para transportadores autônomos não contribuintes da CBS, a estimativa mencionada varia entre 1,8% e 4%, conforme as regras aplicáveis.

Já as empresas que apurarem os tributos pelo regime regular poderão gerar créditos integrais, conforme as condições previstas na legislação. Para o Simples híbrido, a estimativa apresentada é de aproximadamente 9% a 9,3%.

*Os percentuais efetivos precisam ser confirmados conforme as regras aplicáveis a cada operação. Ainda assim, a diferença projetada evidencia o desafio que vem pela frente.

O embarcador ou a transportadora que subcontrata terceiros não avaliará apenas o preço cobrado pelo serviço. O efeito tributário da contratação também entrará nessa conta.

Um frete aparentemente mais barato pode deixar de ser a opção mais vantajosa quando o contratante considera os créditos fiscais que poderá aproveitar.

O que isso significa para o preço do frete?

A Reforma Tributária tende a tornar mais evidente uma diferença que muitas empresas ainda não estão considerando: o valor do frete negociado não é necessariamente o mesmo que o valor líquido que cada transportador conseguirá preservar na operação.

Para dimensionar esse impacto, as projeções apresentadas apontam para três cenários de remuneração, tomando como referência o chamado frete motorista:

  • 100% do frete de referência: transportadores que gerarem créditos integrais, conforme as regras aplicáveis, como empresas no regime regular e optantes pelo Simples híbrido.
  • Entre 92% e 94%: empresas do Simples Nacional que permanecerem no modelo regular do regime.
  • Entre 85% e 88%: transportadores autônomos, pessoas físicas e MEIs que não forem contribuintes da CBS, conforme o cenário projetado.

Esses percentuais são estimativas econômicas, não uma tabela legal de preços. O resultado dependerá dos custos, das condições contratuais e das decisões comerciais de cada operação.

O custo tributário precisa ser analisado em conjunto com a precificação do frete. Uma escolha que pareça vantajosa inicialmente pode resultar em menor rentabilidade quando considerados os efeitos sobre a negociação comercial e o valor líquido recebido.

Para as transportadoras do Simples Nacional, a opção pelo modelo híbrido merece uma análise cuidadosa. O fato de gerar mais créditos para o contratante não significa, automaticamente, que será a alternativa mais econômica para todas as empresas.

O mesmo cuidado vale para os transportadores autônomos e as pequenas empresas. Em alguns casos, constituir uma pessoa jurídica ou mudar o regime poderá ser uma alternativa a considerar. Essa decisão, porém, precisa partir de uma simulação individualizada, considerando as características de cada operação.

O prazo está chegando: o que fazer agora?

As transportadoras precisam envolver as áreas contábil, fiscal, financeira e comercial para avaliar os cenários antes do prazo de 30 de outubro. Também precisam preparar os processos de faturamento e emissão dos documentos fiscais exigidos para as operações a partir de 2027.

A Reforma Tributária exige que as transportadoras revisem não apenas sua estrutura tributária, mas também a forma como precificam seus serviços e negociam contratos.

A decisão até 30 de outubro é o primeiro passo. O desafio será entender como cada alternativa afeta a rentabilidade e preparar a operação para as novas regras. Em um setor de margens pressionadas, essa análise pode fazer diferença na competitividade do negócio em 2027.

IBS E CBS EM 2027

Como ficam IBS e CBS a partir de 2027?

A partir de 2027, a transição da Reforma Tributária trará mudanças para o cálculo dos tributos sobre o consumo. Nesse contexto, a Receita Estadual do Paraná divulgou, no dia 7 de outubro de 2026, uma orientação sobre a composição da base de cálculo do ICMS durante esse período.

Segundo o entendimento apresentado, os valores de IBS e CBS, quando devidos, deverão integrar a base de cálculo do ICMS. O mesmo se aplica ao Imposto Seletivo (IS), quando houver incidência. O imposto estadual continuará sendo calculado “por dentro”, conforme suas regras de apuração.

Como será o cálculo do ICMS com IBS e CBS?

O cálculo “por dentro” significa que o próprio ICMS integra sua base de cálculo. Com a inclusão dos novos tributos, a composição dessa base exigirá atenção dos contribuintes durante o período de transição.

Para demonstrar esse efeito, a Receita Estadual do Paraná apresentou um exemplo simplificado de uma operação sem incidência de Imposto Seletivo.

ComponenteValor
Valor do produto sem ICMS, IBS e CBSR$ 100,00
IBS (0,10%)R$ 0,10
CBS (8,70%)*R$ 8,70
Base de cálculo do ICMSR$ 123,64
ICMS (12%)R$ 14,84

A alíquota de 8,70% da CBS foi utilizada exclusivamente para fins exemplificativos. O percentual não representa uma alíquota definitiva ou uniforme para as operações de 2027.

O exemplo demonstra como a inclusão dos novos tributos pode alterar a base de cálculo do ICMS. A aplicação prática, entretanto, depende das características da operação e das regras tributárias correspondentes.

A orientação também considera que, a partir de 2027, PIS e Cofins serão extintos e substituídos pela CBS, observadas as regras legais aplicáveis à composição da base do imposto estadual.

Quem deve observar essa orientação?

O exemplo divulgado pela Receita Estadual é direcionado aos contribuintes sujeitos ao regime normal de apuração do ICMS. As empresas optantes pelo Simples Nacional deverão observar as regras específicas aplicáveis ao regime.

Por isso, é importante avaliar o enquadramento tributário da empresa antes de implementar mudanças nos cálculos e nos processos de faturamento.

Quais são os impactos para as empresas?

A mudança exige atenção a quatro frentes principais:

  • Formação de preços: avaliar os efeitos sobre custos, preços e margens das operações.
  • Sistemas fiscais e ERP: revisar as parametrizações de cálculo e as regras tributárias.
  • Documentos fiscais eletrônicos: acompanhar as atualizações dos leiautes e dos campos relacionados aos tributos.
  • Faturamento e apuração: adequar os processos para garantir consistência entre os cálculos, os documentos emitidos e a apuração tributária.

As empresas também devem acompanhar as notas técnicas e os cronogramas de implantação. Entre os documentos indicados na publicação está a Nota Técnica 2025.002 v.1.52, de 1º de outubro de 2026.

É importante observar as versões e as datas de homologação, produção e obrigatoriedade de cada atualização, que podem ser diferentes.

Como preparar sua empresa para 2027?

A adaptação à Reforma Tributária exige integração entre as áreas fiscal, tributária, contábil, comercial e de tecnologia. Antecipar a revisão dos cálculos, dos sistemas e dos processos ajuda a reduzir inconsistências e a preparar a operação para as novas exigências.

A Rumo Brasil é a única consultoria especializada no Transporte Rodoviário de Cargas (TRC) e apoia transportadoras na avaliação dos impactos da Reforma Tributária e na adequação de seus processos.

Entre em contato conosco e avalie os impactos da Reforma Tributária sobre os preços, os sistemas e o faturamento da sua empresa.

A reforma tributária vai mesmo acontecer?

Pode um novo presidente acabar com a Reforma Tributária? E o que isso significa para o transporte e a logística? 


Por: Rafael Brito, CEO da Rumo Brasil

A proximidade das eleições presidenciais trouxe novamente uma dúvida para empresas de todos os setores: afinal, se houver mudança de governo, o novo presidente poderá revogar ou suspender a Reforma Tributária? 

A resposta curta é: não de forma unilateral e, muito menos, imediatamente. 

A Reforma Tributária foi estabelecida pela Emenda Constitucional nº 132/2023. Para alterar o texto constitucional, seria necessária uma nova Proposta de Emenda à Constituição (PEC), aprovada em dois turnos na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, com pelo menos três quintos dos votos dos parlamentares em cada votação. 

Existe ainda uma questão prática nessa discussão que muitas vezes fica esquecida. 

A posse do novo presidente ocorre em 1º de janeiro. Já a nova legislatura começa em 1º de fevereiro, e a sessão legislativa ordinária do Congresso começa em 2 de fevereiro. 

E então vamos para outro detalhe ainda mais importante: a Reforma já está em implementação. 

A Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS já estabeleceram cronogramas para documentos fiscais eletrônicos, incluindo o CT-e utilizado no transporte de cargas. Em 2026, empresas já estão adequando sistemas, documentos e processos para a transição. 

E o que os candidatos sinalizam? 

No plano de governo, Flávio Bolsonaro fala em “revisão e redimensionamento da reforma tributária em curso”, com redução do IVA, correção de distorções, preservação da simplificação e revisão das exceções. 

Durante a campanha, Flávio chegou a defender a suspensão da entrada em vigor da Reforma por um ano. Mas a posição mais recente apresentada por sua equipe econômica é diferente e merece atenção. 

Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha, afirmou que a intenção não seria simplesmente revogar a Reforma ou começar uma nova discussão legislativa do zero. A proposta é manter o arcabouço e aprimorá-lo, corrigindo distorções e buscando atingir melhor os objetivos de simplificação e redução da carga. Mais recentemente, afirmou também que o governo Flávio pretende acabar com o Split Payment, mecanismo previsto na Reforma para separar e recolher automaticamente os tributos no momento da transação. Segundo ela, o sistema prejudicaria principalmente o capital de giro das pequenas empresas. 

Ela também já defendeu uma revisão nos primeiros meses de um eventual governo, especialmente em relação à alíquota, às exceções e ao período de transição. 

Do outro lado, Lula sinaliza pela continuidade, com o plano de governo defendendo a consolidação dos avanços da Reforma e seu aperfeiçoamento. A diferença, portanto, está menos na existência da Reforma e mais na forma e na velocidade de sua implementação. 

A discussão passa a ser como ela será implementada, quais pontos poderão ser aperfeiçoados e em que velocidade essas mudanças poderão ocorrer. 

E aqui está, na minha visão, o ponto mais importante dessa discussão. 

Para o setor de transporte e logística, é natural que exista preocupação com alíquotas, benefícios fiscais, regimes específicos e cronograma de transição.  

Mas o maior impacto está na forma como as empresas precisarão operar dentro do novo sistema tributário. 

Documentação fiscal, qualidade das informações, integração entre sistemas, apuração e relação entre os participantes da cadeia ganharão ainda mais importância. No transporte, isso já aparece na adequação do CT-e e dos sistemas utilizados pelas empresas. 

Por isso, a preparação vai muito além de saber qual será a alíquota. Envolve TMS, ERP, emissão de documentos, processos fiscais, formação de preços, contratos, controles internos e treinamento das equipes. 

O novo sistema estabelece mecanismos de extinção dos débitos e de apropriação de créditos, incluindo o pagamento e o split payment entre as formas previstas para a liquidação dos tributos. 

Isso reforça uma mensagem que considero fundamental para o setor: 

Não basta a transportadora saber quanto vai pagar de imposto. Ela precisa estar preparada para operar corretamente dentro de um sistema em que a informação fiscal passa a ter ainda mais importância. 

É perfeitamente possível que um novo governo proponha ajustes, mas isso é diferente de dizer que toda a estrutura da Reforma está em aberto. 

E é justamente por isso que, independentemente do resultado das eleições, existe uma conclusão que as empresas do transporte e da logística deveriam considerar: 

Esperar pode custar mais caro. 

Existe uma tentação natural de algumas empresas de esperar o resultado das eleições para decidir o que fazer. 

A implementação de um novo modelo tributário exige mudanças que não acontecem de uma hora para outra.   

Para o transporte e a logística, portanto, a pergunta mais importante deveria ser: 

“O que minha empresa precisa fazer agora para estar preparada para qualquer cenário?” 

Essa é a parte da Reforma Tributária que não deveria ficar esperando. 

Justiça Federal reconhece créditos de PIS e Cofins sobre produtos reonerados pela LC nº 224/2025

Uma decisão da 1ª Vara Cível e JEF Adjunto de Uberlândia/MG reconheceu o direito de contribuintes sujeitos ao regime não cumulativo do PIS e da Cofins de aproveitarem créditos relativos à aquisição de produtos que passaram a ser tributados após a redução de benefícios fiscais promovida pela Lei Complementar nº 224/2025. 

A discussão envolve o art. 4º, § 7º, da LC nº 224/2025. A norma estabeleceu a incidência residual de PIS e Cofins sobre operações que anteriormente eram beneficiadas com isenção ou alíquota zero, mas manteve a vedação ao aproveitamento de créditos que já existia na legislação anterior. 

A LC nº 224/2025 promoveu uma redução linear de 10% sobre determinados incentivos e benefícios tributários federais. Nos casos de isenção e alíquota zero, a medida foi implementada pela aplicação de uma alíquota equivalente a 10% da alíquota do sistema padrão de tributação. 

O ponto central analisado pela Justiça Federal foi a manutenção da vedação ao crédito mesmo depois que a operação passou a sofrer incidência tributária. 

Segundo a sentença, a norma passou a impor tributação na etapa anterior da cadeia, mas manteve uma restrição ao creditamento baseada em uma situação que deixou de existir: a ausência de tributação sobre aquela operação.

O princípio da não cumulatividade

Na análise do caso, o juízo destacou que o regime não cumulativo do PIS e da Cofins deve preservar sua funcionalidade econômica, ainda que a Constituição Federal dê ao legislador margem para disciplinar a sistemática dessas contribuições. 

A não cumulatividade pressupõe que o ônus tributário suportado em uma etapa da cadeia seja considerado na etapa seguinte. Dessa forma, na avaliação do juízo, a incidência parcial de PIS e Cofins na operação anterior, acompanhada da vedação integral ao crédito pelo adquirente, cria uma incompatibilidade com a própria lógica do regime. 

A decisão também considerou o entendimento firmado pelo STF no Tema 756, segundo o qual a competência do legislador para disciplinar a não cumulatividade do PIS e da Cofins não é ilimitada. Devem ser observados princípios constitucionais como razoabilidade, isonomia, livre concorrência e proteção da confiança. 

Para o magistrado, a vedação integral ao crédito não seria razoável diante da nova realidade tributária. A sentença aponta que poderia existir uma limitação proporcional à majoração tributária, mas não a manutenção integral de uma restrição baseada na antiga condição de isenção ou alíquota zero. 

Outro fundamento considerado na decisão foi o possível tratamento desigual entre contribuintes submetidos ao mesmo regime não cumulativo. 

Na avaliação do juízo, manter a vedação ao crédito com base na origem do benefício fiscal, mesmo após o início da incidência tributária, pode gerar cumulatividade setorial e desequilíbrios concorrenciais, em possível afronta aos princípios da isonomia tributária e da livre concorrência. 

Com base nesses fundamentos, foi afastada, para as associadas abrangidas pela decisão, a aplicação da vedação prevista no art. 4º, § 7º, da LC nº 224/2025. Com isso, foi reconhecido o direito ao aproveitamento dos créditos de PIS e Cofins relativos às aquisições dos produtos reonerados

Efeitos financeiros da decisão

A sentença também autorizou a escrituração extemporânea dos créditos, inclusive para compensação com débitos de PIS/Cofins e/ou CBS, desde que observados os requisitos legais. 

Em relação aos valores recolhidos indevidamente, foi reconhecido o direito à compensação administrativa após o trânsito em julgado, conforme a legislação vigente no momento do encontro de contas. 

A decisão também admitiu a restituição por precatório ou RPV nas hipóteses e períodos delimitados na sentença, com atualização pela taxa Selic. 

É importante destacar, porém, que a decisão não produz efeitos para todos os contribuintes. O reconhecimento do direito foi limitado às associadas da entidade impetrante submetidas à circunscrição administrativo-fiscal do Delegado da Receita Federal em Uberlândia/MG. 

A sentença está sujeita a reexame necessário e autorizou a execução provisória nos termos registrados pelo juízo. 

A decisão merece atenção das empresas do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC) submetidas ao regime não cumulativo do PIS e da Cofins, especialmente aquelas que adquirem produtos que passaram de uma situação de desoneração para uma incidência parcial das contribuições em razão da LC nº 224/2025. 

Embora o precedente não tenha efeito geral, os fundamentos utilizados pelo juízo podem orientar a análise de situações em que a empresa passou a suportar PIS e Cofins na aquisição, mas continua impedida de apropriar o respectivo crédito. 

Para as transportadoras, o principal ponto de atenção está na análise da cadeia de aquisição, do regime tributário aplicável ao produto e dos créditos efetivamente suportados antes de qualquer procedimento de recuperação ou compensação tributária. 

A Rumo Brasil acompanha de perto as mudanças na legislação tributária e seus impactos sobre o Transporte Rodoviário de Cargas. Nossa atuação combina conhecimento técnico e visão prática da operação das transportadoras para apoiar empresas na identificação de riscos, oportunidades e adequações necessárias diante das mudanças tributárias.

Reforma Tributária: metodologia regulamenta cálculo do IBS e da CBS sobre combustíveis

A Portaria Conjunta MF/CGIBS nº 14, de 2 de outubro de 2026, estabeleceu a metodologia que será utilizada para calcular a carga tributária de referência e definir as alíquotas do IBS e da CBS sobre combustíveis sujeitos ao regime específico previsto na Lei Complementar nº 214/2025. 

A aplicação será feita de forma escalonada. Para a CBS, a metodologia será utilizada na definição das alíquotas que entrarão em vigor a partir de 2027. Já para o IBS, a aplicação começa em 2029 e terá reajustes anuais. 

As alíquotas serão uniformes em todo o território nacional, específicas por unidade de medida e diferenciadas de acordo com cada produto.

Como será calculada a carga tributária de referência?

A carga tributária de referência levará em conta componentes diretos e indiretos da tributação. 

No caso da CBS, serão considerados tributos como PIS/Pasep e Cofins, inclusive aqueles incidentes sobre operações de importação. Também entram no cálculo os tributos relacionados a insumos, serviços e bens de capital utilizados na cadeia dos combustíveis e que não tenham sido recuperados como crédito. 

Para o IBS, serão considerados o ICMS e, na composição indireta, o ICMS e o ISS que não tenham sido recuperados como crédito. 

O cálculo também levará em consideração o Preço Médio Ponderado a Consumidor Final (PMPF), os volumes comercializados e os índices de atualização previstos na regulamentação. 

Para a CBS, o período-base será de julho de 2025 a junho de 2026. No caso do IBS, será considerado o período de julho de 2027 a junho de 2028.

Transição do IBS sobre combustíveis

A transição para o IBS ocorrerá de maneira progressiva. A carga tributária de referência será considerada nos seguintes percentuais: 

  • 2029: 10%; 
  • 2030: 20%; 
  • 2031: 30%; 
  • 2032: 40%; 
  • A partir de 2033: 100%. 

A regra acompanha o processo de transição para o novo sistema tributário estabelecido pela Reforma Tributária.

Biocombustíveis e hidrogênio de baixa emissão

A Portaria também estabelece regras para os biocombustíveis e o hidrogênio de baixa emissão de carbono. 

A tributação desses produtos deverá ser inferior à aplicada aos combustíveis fósseis, preservando o diferencial competitivo previsto na Constituição Federal. 

Para os biocombustíveis, a alíquota deverá ficar entre 40% e 90% da alíquota do combustível fóssil de referência. 

No caso do etanol anidro e do biodiesel destinados à mistura obrigatória com combustíveis fósseis, as alíquotas do IBS corresponderão a 90% da alíquota do respectivo combustível fóssil de referência. A norma também estabelece uma regra específica para preservar o diferencial competitivo do etanol hidratado. 

Os cálculos da carga tributária de referência serão realizados por órgãos diferentes, conforme o tributo. 

Para a CBS, a responsabilidade será da Receita Federal. Já no caso do IBS, caberá ao Comitê Gestor do IBS realizar os cálculos. 

A partir de 2027, os cálculos deverão passar por uma conferência técnica conjunta antes da divulgação. Para isso, serão utilizados dados e informações compartilhados pelos diferentes entes federativos. 

Impactos para o Transporte Rodoviário de Cargas 

A regulamentação merece atenção especial das empresas de Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), principalmente pelo peso dos combustíveis na estrutura de custos das operações. 

A definição das alíquotas do IBS e da CBS poderá repercutir na formação dos custos, na precificação dos serviços de transporte e nas projeções tributárias das transportadoras durante o período de transição para o novo sistema. 

Por isso, acompanhar a regulamentação e antecipar possíveis impactos é importante para que as empresas consigam avaliar seus custos e tomar decisões com maior segurança ao longo da transição. 

A Portaria Conjunta MF/CGIBS nº 14/2026 entrou em vigor na data de sua publicação. 

A Reforma Tributária traz mudanças que exigem das transportadoras atenção não apenas às novas regras, mas também aos impactos financeiros, tributários e operacionais que serão incorporados ao longo dos próximos anos. 

A Rumo Brasil acompanha de perto a regulamentação da Reforma Tributária e seus efeitos sobre o Transporte Rodoviário de Cargas, apoiando transportadoras a entender os impactos das mudanças e a se preparar para a transição do novo sistema tributário. 

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