Rafael Brito e Bernard Appy participam de painel durante evento sobre a Reforma Tributária, o Rumo Brasil Summit 2026.

Governo considera adiar implementação da Reforma Tributária

O governo federal já considera a possibilidade de adiar a implementação da Reforma Tributária. A discussão envolve uma possível prorrogação de até seis meses no cronograma, diante das dificuldades operacionais e do estágio de preparação das empresas para a entrada em vigor do novo modelo de tributação sobre o consumo.

A possibilidade surge a menos de dois meses do início de uma nova etapa da transição tributária e reflete a preocupação com a capacidade de empresas e órgãos responsáveis de concluir as adaptações necessárias dentro do prazo originalmente estabelecido.

Entre os desafios estão a implementação dos sistemas fiscais, a definição de procedimentos operacionais e a adaptação dos contribuintes às novas regras. Uma eventual mudança no calendário, entretanto, depende de articulação política e não representa, até o momento, uma decisão oficial.

Bernard Appy defende estender período de testes até 2027

Paralelamente à discussão no governo, Bernard Appy, ex-secretário extraordinário da Reforma Tributária e um dos principais responsáveis pela elaboração da proposta, defendeu a prorrogação do período de testes até o final de 2027, com o início da cobrança efetiva da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) a partir de 2028.

Em entrevista ao UOL, Appy afirmou que a extensão seria importante para evitar problemas operacionais no início da transição. Segundo ele, os sistemas ainda estão em fase de implementação e existe uma diferença significativa no nível de preparação das empresas.

Na avaliação do economista, a medida não significaria rever a estrutura da Reforma Tributária, mas garantir mais tempo para que os processos e sistemas estejam preparados para o funcionamento do novo modelo.

A proposta defendida por Appy também mantém o cronograma de transição do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), cuja implementação gradual está prevista para começar em 2029.

O que a possibilidade de adiamento representa para as transportadoras?

Para o Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), a discussão reforça a importância de acompanhar as definições da Reforma Tributária e avaliar antecipadamente seus impactos sobre a operação.

As mudanças envolvem aspectos que vão além da substituição dos tributos atuais. A nova estrutura exige revisão de processos fiscais, adequação de sistemas, análise da formação dos preços dos fretes e avaliação dos efeitos sobre custos, margens e fluxo de caixa.

Na avaliação de Rafael Brito, CEO da Rumo Brasil, uma eventual prorrogação seria o caminho mais prudente diante do atual nível de preparação do mercado. O executivo observa que poucas empresas estão efetivamente se movimentando para se adaptar às mudanças, apesar da proximidade dos próximos marcos da Reforma.

Nesse contexto, ampliar o período de testes poderia proporcionar mais tempo para que as transportadoras compreendam as novas regras, ajustem seus processos e preparem suas estruturas operacionais antes do início da cobrança efetiva dos novos tributos.

Isso, porém, não deve ser interpretado como um motivo para adiar o planejamento. Independentemente de possíveis mudanças no calendário, a preparação precisa continuar sendo prioridade para as transportadoras. Antecipar a análise dos impactos tributários será fundamental para preservar margens, reduzir riscos e tomar decisões com mais segurança durante a transição.

Caminhão e picape trafegam por rodovia ao pôr do sol. Copiar

Imposto Seletivo em 2027: caminhões ficam de fora da nova tributação

A partir de 2027, o Imposto Seletivo, conhecido como “imposto do pecado”, passará a fazer parte do sistema tributário brasileiro. Mas, para o Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), uma definição trazida pela Medida Provisória nº 1.399/2026 representa um ponto importante: os caminhões com Peso Bruto Total (PBT) igual ou superior a 3.500 kg não estarão sujeitos à cobrança do novo tributo.

Publicada em 4 de novembro de 2026, a medida estabelece as alíquotas e as regras complementares do Imposto Seletivo para o ano-calendário de 2027. A cobrança está prevista para começar em 2 de fevereiro de 2027, com regras transitórias válidas até 31 de dezembro do mesmo ano.

A decisão afasta uma preocupação do setor de transporte, especialmente em relação ao custo de aquisição de caminhões novos.

O que muda com o Imposto Seletivo em 2027?

Instituído pela Reforma Tributária, o Imposto Seletivo tem como objetivo desestimular o consumo e a produção de bens e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.

O tributo está previsto na Emenda Constitucional nº 132/2023 e foi regulamentado pela Lei Complementar nº 214/2025. Entre os produtos sujeitos à tributação estão cigarros, bebidas alcoólicas, bebidas açucaradas, veículos, aeronaves, embarcações e determinados bens minerais.

Com a publicação da MP nº 1.399/2026, o governo definiu como será a aplicação do imposto durante seu primeiro ano de implementação.

Em 2027, as alíquotas incidentes sobre veículos, aeronaves, embarcações, produtos fumígenos e bebidas corresponderão, em regra, às atuais alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), com a aplicação de fatores específicos de conversão.

A proposta é preservar o nível efetivo de tributação durante a transição para o novo modelo. Esse regime terá caráter temporário, enquanto as regras permanentes do Imposto Seletivo deverão ser definidas para entrar em vigor a partir de 2028.

Um dos pontos mais relevantes da MP para o Transporte Rodoviário de Cargas está no artigo 5º, que estabelece a não incidência do Imposto Seletivo sobre caminhões.

Para esse enquadramento, a medida considera caminhões os veículos automotores destinados ao transporte de cargas com Peso Bruto Total igual ou superior a 3.500 kg. A definição também contempla veículos que podem tracionar ou arrastar outros veículos, respeitada a capacidade máxima de tração, além daqueles com carroceria inacabada ou carroceria do tipo furgão.

Isso significa que os caminhões utilizados nas operações de transporte de cargas não estarão sujeitos ao novo tributo, desde que atendam aos critérios estabelecidos na medida.

A regra é relevante para as transportadoras que planejam renovar, ampliar ou modernizar suas frotas. Com a exclusão dos caminhões da incidência do Imposto Seletivo, não haverá a cobrança desse novo tributo sobre esses veículos.

É importante destacar, porém, que a não incidência se refere especificamente ao Imposto Seletivo e não significa isenção de todos os demais tributos ou custos envolvidos na aquisição de veículos.

Picapes continuam sujeitas ao Imposto Seletivo

A medida também estabelece uma distinção importante entre caminhões e picapes.

Mesmo quando apresentam Peso Bruto Total igual ou superior a 3.500 kg, as picapes não são enquadradas na definição de caminhão para fins do Imposto Seletivo.

A MP caracteriza essas categorias como veículos destinados ao transporte de cargas que possuem, de fábrica, um compartimento de passageiros conectado a uma área aberta de carga. Essa definição vale mesmo quando a área de carga conta com cobertura removível ou algum acessório para seu fechamento.

Portanto, empresas que utilizam picapes em suas operações precisam considerar a incidência do novo tributo no planejamento de aquisição e renovação desses veículos.

Essa diferenciação merece atenção principalmente para transportadoras que possuem frotas mistas, com caminhões, picapes e outros veículos leves.

O que mais a MP nº 1.399/2026 estabelece?

Além das regras relacionadas aos veículos, a medida provisória define condições para outros produtos e setores alcançados pelo Imposto Seletivo.

Entre os principais pontos estão:

  • Bebidas alcoólicas e açucaradas: terão alíquotas definidas conforme as regras e os fatores de conversão estabelecidos pela medida.
  • Produtos fumígenos: cigarros e outros produtos derivados do tabaco permanecem sujeitos à tributação.
  • Bens minerais extraídos: terão as alíquotas reduzidas a zero até 31 de dezembro de 2027.
  • Veículos: terão alíquotas ajustadas conforme critérios como eficiência energética, potência, sustentabilidade e segurança, observadas as condições previstas na MP.

As regras fazem parte do período de implementação gradual do Imposto Seletivo, que busca manter a tributação durante a transição para o novo sistema.

A medida ainda precisa ser aprovada pelo Congresso

Apesar de já estar em vigor, a MP nº 1.399/2026 ainda precisa passar pela análise do Congresso Nacional.

Por se tratar de uma medida provisória, o texto tem força de lei desde sua publicação, mas depende de aprovação parlamentar para se converter definitivamente em lei. Durante a tramitação, deputados e senadores podem apresentar emendas e propor alterações.

O calendário legislativo atualmente prevê a deliberação da medida até 12 de fevereiro de 2027. Portanto, as regras ainda podem sofrer mudanças durante esse processo.

Além disso, o governo deverá encaminhar ao Congresso, até 31 de maio de 2027, um projeto de lei com a definição das alíquotas permanentes do Imposto Seletivo, aplicáveis a partir de 1º de janeiro de 2028.    

A Reforma Tributária continua avançando e suas mudanças exigem atenção não apenas ao cálculo dos tributos, mas também ao planejamento financeiro, tributário e operacional das transportadoras.

Acompanhar essas definições é fundamental para antecipar impactos, avaliar investimentos e tomar decisões com mais segurança durante o período de transição tributária.

Notebook exibindo um documento CT-e digital, com notas fiscais eletrônicas e caminhões ao fundo. Copiar

Mudanças no CT-e e nas notas fiscais exigem atenção das transportadoras em 2026

A Reforma Tributária está provocando mudanças nos documentos fiscais eletrônicos utilizados pelas empresas brasileiras. Entre novembro e dezembro de 2026, novas versões de leiautes e regras de validação entram em produção, incluindo alterações no Conhecimento de Transporte Eletrônico (CT-e), documento essencial para a formalização dos serviços de transporte de cargas.

As atualizações incluem novos campos e informações relacionados ao IBS e à CBS, tributos criados pela Reforma Tributária. Para as transportadoras, o principal prazo é 14 de dezembro de 2026, quando está prevista a implantação do novo leiaute do CT-e.

A adequação dos sistemas emissores é fundamental para evitar inconsistências, rejeições de documentos e problemas na formalização das operações.

Quais são os prazos para as mudanças nos documentos fiscais?

As atualizações acontecem em etapas, conforme o modelo de documento fiscal e as respectivas notas técnicas.

Os principais marcos previstos para o fim de 2026 são:

  • 16 de novembro de 2026: entrada em produção de atualizações para documentos como NF-e, NFC-e, BP-e, NF3e e outros modelos abrangidos pelas respectivas notas técnicas.
  • 14 de dezembro de 2026: implantação da Nota Técnica CT-e 2026.004, versão 1.01, que contempla alterações no CT-e, CT-e OS e CT-e Simplificado.

O cronograma do CT-e foi atualizado após o adiamento da implantação inicialmente prevista para novembro. Por isso, as transportadoras devem considerar as datas mais recentes divulgadas no Portal Nacional do CT-e.

O que muda na emissão do CT-e?

A Nota Técnica CT-e 2026.004 atualiza o documento para atender às exigências da Reforma Tributária e estabelece mudanças em campos, valores e regras de validação.

Entre os principais pontos estão:

  • Valor líquido da prestação: inclusão de um campo específico para informar o valor líquido do serviço de transporte, permitindo diferenciá-lo dos tributos.
  • Composição dos valores: ajustes nas regras de preenchimento e totalização do documento, incluindo o tratamento de IBS e CBS. A versão 1.01 esclarece que esses tributos não devem compor o campo de valor da prestação.
  • Contingência: mudanças nas modalidades de emissão em situações de indisponibilidade dos sistemas autorizadores, com previsão de descontinuação de novas emissões por EPEC e FS-DA e adoção da contingência offline.
  • CT-e Simplificado: atualização da estrutura para contemplar informações tributárias relacionadas às diferentes prestações ou trechos da operação.

As alterações exigem atenção das equipes fiscais e dos responsáveis pelos sistemas de emissão, que precisam verificar se as ferramentas utilizadas estão preparadas para atender às novas especificações.

Como as transportadoras devem se preparar?

A atualização dos sistemas emissores deve fazer parte do planejamento fiscal e operacional das transportadoras. Para evitar problemas com a entrada em vigor das novas regras, algumas medidas são importantes:

  • Verificar o sistema emissor: confirmar com o fornecedor do software a disponibilidade das atualizações necessárias.
  • Realizar testes: utilizar o ambiente de homologação para conferir o preenchimento dos novos campos e o atendimento às regras de validação.
  • Revisar processos internos: avaliar cadastros, parametrizações fiscais e procedimentos de contingência.
  • Orientar as equipes: preparar os profissionais das áreas fiscal, financeira, operacional e de tecnologia para as mudanças.

É importante lembrar que documentos com informações incompatíveis com o leiaute ou com as regras de validação vigentes podem ser rejeitados pelo ambiente autorizador da Secretaria da Fazenda. Isso pode exigir correções e uma nova emissão, gerando retrabalho e possíveis atrasos nas operações.

Reforma Tributária exige atenção à gestão fiscal das transportadoras

As mudanças no CT-e e nos demais documentos fiscais mostram que a Reforma Tributária vai além da criação de novos tributos e da alteração de alíquotas. A transição também exige adaptações nos sistemas, nos processos e na gestão fiscal das empresas.

Para as transportadoras, acompanhar as atualizações das notas técnicas e garantir que os sistemas estejam preparados para as novas exigências é fundamental para evitar rejeições de documentos, retrabalho e possíveis impactos na operação.

Com novas regras entrando em vigor nos próximos meses, antecipar essas adequações é uma medida importante para preservar a regularidade fiscal e garantir mais segurança às operações durante o período de transição tributária.

NFS-e

NFS-e nacional passa a ser obrigatória para empresas do Simples Nacional

Desde 1º de novembro de 2026, as microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP) optantes pelo Simples Nacional que prestam serviços sujeitos à emissão de Nota Fiscal de Serviço Eletrônica (NFS-e) devem utilizar exclusivamente o Emissor Nacional, disponível nas modalidades Web ou API.

A obrigatoriedade foi estabelecida pela Resolução CGSN nº 191/2026, que alterou as regras previstas na Resolução CGSN nº 140/2018. A medida busca padronizar a emissão do documento fiscal em todo o território nacional e se aplica mesmo aos contribuintes de municípios que ainda mantêm sistemas próprios de emissão.

Com a mudança, as empresas enquadradas no Simples Nacional devem emitir suas NFS-e diretamente pelo ambiente nacional, seja por meio do portal eletrônico, seja por integração com sistemas de gestão empresarial (ERP), utilizando a API disponibilizada pelo sistema.

A obrigatoriedade também vale independentemente de o contribuinte constar ou não no cadastro municipal. Nos municípios que já utilizavam o Emissor Nacional, o fluxo operacional permanece inalterado.

Um dos pontos importantes da nova diretriz é a data de competência do serviço, que determina qual sistema deve ser utilizado para a emissão do documento fiscal.

Para serviços com competência a partir de 1º de novembro de 2026, a emissão deve ocorrer pelo ambiente nacional. Já as notas referentes a serviços prestados em períodos anteriores continuam seguindo as regras aplicáveis à época, inclusive com possibilidade de emissão retroativa pelos sistemas municipais, conforme as orientações da Receita Federal.

O que muda para as empresas do Simples Nacional?

Empresas que utilizavam exclusivamente os sistemas das prefeituras para emitir notas fiscais de serviços precisam adequar seus processos ao novo modelo.

A mudança exige atenção especialmente aos procedimentos de emissão e à integração dos sistemas utilizados na rotina fiscal. Por isso, é importante verificar se o ERP está preparado para se comunicar com o Emissor Nacional e se os processos internos estão alinhados às novas exigências.

O que as transportadoras precisam observar?

Para as transportadoras, é importante avaliar quais operações estão sujeitas à emissão de NFS-e e quais documentos fiscais devem ser utilizados em cada atividade.

O transporte rodoviário de cargas intermunicipal e interestadual, sujeito à incidência do ICMS, continua documentado pelo Conhecimento de Transporte Eletrônico (CT-e), não sendo substituído pela NFS-e em razão dessa mudança.

Entretanto, transportadoras que também realizam prestações de serviços sujeitas ao ISS e à emissão de NFS-e devem verificar se estão abrangidas pela obrigatoriedade e adequar seus processos ao padrão nacional.

A revisão dos procedimentos fiscais e dos sistemas de emissão é importante para evitar inconsistências e garantir o cumprimento das obrigações tributárias.

Acompanhar as mudanças na documentação fiscal e seus impactos operacionais é fundamental para manter a conformidade e a segurança na gestão das transportadoras.

Caminhão percorre uma rodovia brasileira ao pôr do sol, representando a força e a resiliência do transporte e da logística no Brasil.

O Brasil é maior que qualquer cenário. E o transporte seguirá em frente

Carta aberta ao transporte e à logística
Por Rafael Brito, CEO da Rumo Brasil


O povo brasileiro é resiliente, trabalhador e acostumado a superar desafios. Ao longo da nossa história, os empreendedores enfrentaram grandes crises, cenários de incerteza, instabilidade política e mudanças constantes nas regras do jogo. Mesmo diante de dificuldades, seguiram trabalhando, gerando empregos e movimentando o país.

É essa capacidade de adaptação que me faz acreditar que o Brasil é maior que tudo isso e que o nosso empreendedor continuará encontrando caminhos para seguir em frente.

O resultado das eleições presidenciais abre um novo ciclo para o país. Torço para que o governo eleito consiga realizar as mudanças de que o Brasil precisa, trazendo para seus ministérios pessoas competentes e técnicas, capazes de cuidar da nossa economia e contribuir para o desenvolvimento do país.

Precisamos de mais segurança, previsibilidade e instituições que cumpram seus papéis, respeitando a Constituição e as leis. Sabemos que o cenário político não será simples, mas acredito que o povo brasileiro, em especial o empreendedor, é mais resiliente do que muitas vezes imaginamos.

O Brasil é maior que qualquer governo. E o transporte e a logística são forças vitais da nossa economia.

É pelas estradas que circulam os produtos que abastecem nossas cidades, movimentam o agronegócio, sustentam a indústria e conectam empresas e consumidores. O Transporte é indispensável para o desenvolvimento do país, e temos certeza de que continuará exercendo esse papel.

Isso não significa que não teremos desafios. Pelo contrário. Na minha avaliação, estes são cinco pontos aos quais o transportador precisa ficar atento durante o próximo governo:

1. Juros elevados: o custo do crédito pode continuar pressionando o caixa e dificultando investimentos. Precisaremos cuidar da saúde financeira do negócio, controlar o endividamento e planejar melhor nossas decisões.

2. Diesel e demais custos da operação: as oscilações no preço do diesel e nos demais insumos podem comprometer a rentabilidade. Será cada vez mais importante conhecer os custos da operação, revisar a formação do frete e buscar mais eficiência.

3. Mudanças na jornada de trabalho: o fim da escala 6×1 e a redução da jornada podem trazer mudanças importantes para a operação e para os custos com mão de obra. Precisaremos acompanhar essas medidas e avaliar seus impactos no nosso negócio.

4. Reforma Tributária: 2027 será uma grande virada de chave para o transporte. A entrada da CBS e a extinção do PIS e da Cofins vão exigir preparação, revisão de processos, contratos, preços e planejamento financeiro. Não podemos deixar para a última hora uma mudança dessa dimensão.

5. Incentivos fiscais e tributação: possíveis cortes de benefícios fiscais e a reoneração gradual da folha de pagamento prevista na legislação podem aumentar os custos e afetar a competitividade das transportadoras.

Agora, mais do que nunca, precisamos olhar para dentro de casa, revisar nossas estratégias e entender qual é a melhor forma de atuar e nos posicionar diante das mudanças que estão por vir.

A Reforma Tributária representa uma grande transformação para o setor. Quem se preparar, entender as novas regras e tomar as decisões certas terá melhores condições de atravessar esse período e construir uma operação mais eficiente e rentável.

Na Rumo Brasil, conhecemos de perto a realidade do transportador porque vivemos desse segmento e somos especializados nele. Sabemos das dores, dos desafios e das dificuldades de quem precisa manter uma operação funcionando todos os dias.

Desde o ano passado, estamos nos preparando para essa grande virada de chave. Reunimos centenas de especialistas e desenvolvemos soluções para ajudar as transportadoras a lucrar mais, performar mais, reduzir riscos e gerir ainda melhor seus negócios.

Nosso compromisso é estar ao lado do transportador durante todo esse processo, oferecendo conhecimento técnico, orientação e soluções para que possamos passar por essas mudanças de maneira mais produtiva e com o menor impacto possível.

O Brasil já enfrentou muitas crises e continuará enfrentando desafios. Mas o empreendedor brasileiro sabe trabalhar, se adaptar e encontrar caminhos. E o transporte seguirá sendo essencial para o desenvolvimento da nossa economia.

Precisamos olhar para frente, nos preparar e fazer a nossa parte. Não controlamos tudo o que acontece ao nosso redor, mas podemos decidir como vamos conduzir nossos negócios diante de cada cenário.

Conte comigo e com a Rumo Brasil. Seguiremos lado a lado com o transportador, trabalhando para transformar essa grande mudança em uma oportunidade de crescimento, com mais eficiência, rentabilidade e segurança para os nossos negócios.

Rafael Brito
CEO da Rumo Brasil

Sede do Tribunal de Contas da União (TCU), em Brasília. Copiar texto alternativo

TCU propõe alíquota de 11,3% para a CBS em 2027: transportadoras devem se preparar para a Reforma Tributária

O Tribunal de Contas da União (TCU) apresentou, nesta quarta-feira (28/10), uma proposta de alíquota de 11,3% para a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), tributo federal criado pela Reforma Tributária e previsto para entrar em vigor em 1º de janeiro de 2027. O percentual ainda será analisado pelo plenário do tribunal e, após essa etapa, encaminhado ao Senado Federal para avaliação.

De acordo com informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, o índice foi calculado com base em dados fornecidos pela Receita Federal e tem como objetivo preservar a arrecadação dos tributos federais sobre o consumo que serão substituídos pelo novo modelo.

O Senado terá até dezembro para avaliar o percentual. Caso não haja uma definição dentro do prazo legal, a alíquota de referência calculada pelo TCU poderá ser aplicada em 2027, conforme as regras previstas para a implementação da CBS.

O que muda com a entrada em vigor da CBS?

A CBS faz parte do novo modelo de tributação sobre o consumo e substituirá o PIS e a Cofins, além de incorporar a arrecadação do IOF incidente sobre seguros e a maior parte da arrecadação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

A proposta de alíquota de 11,3% supera as estimativas anteriores do Ministério da Fazenda, que trabalhava inicialmente com percentuais entre 8,53% e 9,05%. Posteriormente, a projeção foi elevada para 9,21%, em razão da ampliação dos benefícios e dos tratamentos tributários diferenciados durante a regulamentação da reforma.

A definição da alíquota de referência considera a necessidade de manter a arrecadação dos tributos substituídos dentro dos limites estabelecidos pela legislação. Por isso, o percentual proposto não deve ser interpretado, isoladamente, como um aumento equivalente da carga tributária para todas as empresas.

Os efeitos efetivos dependerão das regras de incidência, das possibilidades de aproveitamento de créditos e do enquadramento de cada operação no novo sistema.

Quais são os impactos para o Transporte Rodoviário de Cargas?

Para as transportadoras, a definição da CBS é uma etapa importante da preparação para a Reforma Tributária. A mudança não envolve apenas a substituição de tributos, mas também exige uma avaliação dos processos fiscais, financeiros e operacionais das empresas.

Entre os pontos que merecem atenção estão:

  • Formação de preços: avaliar como as novas regras de tributação e de aproveitamento de créditos podem afetar os custos e as margens das operações.
  • Fluxo de caixa: projetar os efeitos da nova dinâmica de recolhimento dos tributos e do aproveitamento de créditos sobre a disponibilidade de recursos.
  • Planejamento tributário: revisar o enquadramento fiscal e as particularidades das operações para identificar riscos e oportunidades dentro das regras aplicáveis.
  • Sistemas e processos: preparar os controles fiscais, os sistemas de gestão e as rotinas financeiras para as exigências do novo modelo.

A alíquota de referência é uma variável importante nesse processo, mas não deve ser analisada de forma isolada. Para compreender os efeitos da reforma, cada transportadora precisa considerar sua realidade operacional, seu regime tributário e a estrutura de custos e créditos de suas atividades.

A Rumo Brasil acompanha as mudanças da Reforma Tributária e seus reflexos no Transporte Rodoviário de Cargas, contribuindo para que as empresas do setor compreendam os novos cenários e se preparem para as exigências do sistema tributário.

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