O setor de infraestrutura e logística deve atravessar 2026 em um cenário de forte atividade, impulsionado pelo avanço dos investimentos públicos e privados. Ao mesmo tempo, esse movimento expõe um desafio que já se tornou estrutural: a escassez de mão de obra.
A dificuldade de contratar profissionais, tanto qualificados quanto operacionais, têm pressionado empresas do setor e ampliado os riscos relacionados a custos, prazos e execução de projetos. O problema, que já vinha sendo observado nos últimos anos, tende a se intensificar diante do volume de investimentos previstos para o período.
Segundo dados da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), apenas os investimentos privados em concessões e parcerias público-privadas no setor de transportes e logística devem alcançar cerca de R$ 43,3 bilhões. O desafio, porém, está em garantir pessoas suficientes para viabilizar esse crescimento.
Custos sob pressão e dificuldade de contratação
Ao longo de 2025, a escassez de profissionais já havia sido apontada como um dos principais fatores de limitação ao crescimento do setor. Esse cenário se refletiu diretamente nos custos operacionais.
Mesmo com a retração do índice geral do DNIT-R, referência para os preços de obras rodoviárias, os gastos com mão de obra seguiram em alta. O custo médio do trabalho no setor de infraestrutura rodoviária registrou aumento de 6,35%, com destaque para funções essenciais à operação, como motoristas, operadores de equipamentos, armadores e serventes.
Esse descompasso evidencia um problema estrutural: há investimentos, há demanda, mas falta gente para executar.
Um problema que tende a se agravar
Para o presidente da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), Marco Aurélio de Barcelos, a escassez de mão de obra já figura entre as principais preocupações das concessionárias. Segundo ele, a dificuldade não se limita à contratação direta de trabalhadores, mas também atinge empresas de engenharia e fornecedores estratégicos.
Um ciclo longo de investimentos e alta demanda por profissionais
A perspectiva para os próximos anos torna o cenário ainda mais desafiador. A expectativa do setor é de que os investimentos em concessões rodoviárias se intensifiquem a partir de 2026, alcancem um pico em cerca de dois anos e permaneçam elevados por aproximadamente oito anos consecutivos.
Trata-se de um ciclo inédito em termos de volume e duração. Sem a ampliação da oferta de mão de obra, o desequilíbrio tende a gerar aumento de custos, atrasos na execução de projetos e dificuldades operacionais ao longo de toda a cadeia logística.
Impactos além do transporte rodoviário
A escassez de profissionais não se limita ao transporte rodoviário. O problema também afeta os modais aquaviário e aéreo, conforme apontado no diagnóstico do Plano Nacional de Logística 2050.
No transporte marítimo, há carência de capitães e tripulantes, agravada por entraves na formação e certificação profissional. Na cabotagem, a exigência legal de mão de obra majoritariamente nacional contrasta com a baixa capacidade de formação existente no país.
No setor aéreo, a falta de profissionais qualificados é mais evidente em aeroportos regionais e municipais. Embora existam iniciativas pontuais de capacitação, o déficit persiste. Como resposta, o Ministério de Portos e Aeroportos anunciou a abertura de editais para formação de mecânicos de manutenção aeronáutica, em parceria com o Sest/Senat.
Reflexos diretos para o Transporte Rodoviário de Cargas
Para o Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), o impacto é direto. A operação depende fortemente da disponibilidade de motoristas, operadores e equipes técnicas. A escassez de mão de obra pressiona custos, compromete prazos e reduz a capacidade de atendimento, especialmente em um ambiente de contratos mais exigentes e margens cada vez mais ajustadas.
Diante desse cenário, o acompanhamento técnico, econômico e regulatório se torna essencial para a tomada de decisão das empresas do setor.
A Rumo Brasil acompanha de forma contínua os movimentos que impactam o transporte rodoviário de cargas, incluindo mudanças tributárias, tendências econômicas e desafios estruturais do mercado.
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