A implementação operacional da Reforma Tributária avança para uma etapa decisiva, e dois temas vêm concentrando a atenção de especialistas e do setor produtivo: o split payment e as regras de aproveitamento dos créditos tributários no IBS e na CBS.
O split payment foi criado como um mecanismo de arrecadação automática. Nesse modelo, a parcela correspondente aos tributos é separada no momento do pagamento da operação e direcionada diretamente aos entes arrecadadores.
A proposta busca aumentar a eficiência da arrecadação e reduzir riscos de inadimplência. No entanto, sua implementação ainda gera preocupações relacionadas aos custos operacionais, à remuneração das instituições financeiras envolvidas e aos impactos sobre o fluxo de caixa das empresas.
A própria Receita Federal reconhece que os principais desafios do split payment são financeiros e operacionais, e não tecnológicos. O tema vem sendo discutido entre governo, instituições financeiras e entidades representativas, especialmente em relação à remuneração dos participantes responsáveis pelo processamento das operações.
Créditos tributários também preocupam empresas
Outro ponto de atenção envolve o sistema de créditos tributários da nova tributação sobre o consumo.
Especialistas alertam para possíveis impactos na efetividade da não cumulatividade, um dos princípios centrais da Reforma Tributária. Entre as preocupações estão restrições ao aproveitamento de créditos, demora nos ressarcimentos e exigências operacionais que dificultem a utilização dos valores acumulados pelas empresas.
O tema é especialmente relevante para setores com grande volume de operações, investimentos constantes e cadeias produtivas mais complexas, nos quais a previsibilidade dos créditos tributários tem impacto direto na gestão financeira.
Dificuldades na recuperação desses valores podem afetar o capital de giro, o planejamento tributário e a capacidade de investimento das empresas.
Regulamentação será fundamental
A fase de regulamentação e desenvolvimento dos sistemas operacionais será determinante para o sucesso da Reforma Tributária.
Além da definição das regras legais, será necessário criar mecanismos que garantam simplicidade, segurança jurídica e eficiência tanto na gestão dos créditos tributários quanto na operacionalização do split payment.
Para as empresas, o momento exige preparação antecipada. Segundo Alex Morais, Supervisor de Reforma Tributária da Rumo Brasil, a transição deve ser encarada como um período de adaptação e revisão de processos internos.
"A Reforma realmente simplifica, mas a simplificação só chega para quem se preparar. As empresas que tratarem 2026 como ano de teste e ajuste, mapeando meios de pagamento, revisando contratos com fornecedores e entrando nos programas de conformidade da Receita Federal, vão atravessar a transição sem grandes sustos. As que esperarem o sistema entrar em produção para começar a se mexer vão descobrir que o preço da demora é pago em capital de giro e em crédito perdido. Não é alarmismo: é o que já se vê nos primeiros projetos em andamento."
Nesse cenário, o acompanhamento da regulamentação do split payment e dos procedimentos de aproveitamento de créditos deve integrar as agendas tributária, financeira e tecnológica das organizações. A adaptação antecipada dos processos internos poderá ser um diferencial para mitigar riscos operacionais e financeiros durante a implementação gradual do IBS e da CBS.
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O portal TRC na Reforma acompanha as principais discussões, regulamentações e impactos da Reforma Tributária para o Transporte Rodoviário de Cargas, ajudando empresas e profissionais do setor a se prepararem para as mudanças que estão por vir.