A Receita Federal do Brasil divulgou, no dia 9 de abril, o balanço das ações de fiscalização de 2025 e o planejamento estratégico para 2026. Os números chamam atenção: foram R$ 233 bilhões em autuações, com forte concentração em pessoas jurídicas, resultado de ações voltadas ao combate à sonegação e inconsistências no recolhimento de tributos.
A Receita pretende atuar de forma mais orientadora, incentivando a regularização espontânea antes da aplicação de penalidades.
A atuação punitiva deve ficar concentrada em casos mais graves, como fraudes ou situações em que não houver ajuste voluntário. A Receita passa a priorizar o envio de alertas e comunicações para que os contribuintes corrijam inconsistências antes de uma autuação formal.
Esse movimento reforça uma tendência já observada nos últimos anos: o aumento da conformidade fiscal por meio de orientação e monitoramento contínuo, reduzindo a necessidade de medidas coercitivas.
IRPJ, CSLL e PIS/Cofins concentram maior parte das autuações
Os dados mostram que a fiscalização segue concentrada nos grandes contribuintes, especialmente em tributos relevantes para as empresas.
O IRPJ e a CSLL lideram as autuações, com R$ 137,7 bilhões, representando 61,2% do total. Em seguida aparecem PIS/Cofins, com R$ 42,3 bilhões (18,8%), e as contribuições previdenciárias, com R$ 15,2 bilhões (6,8%).
| Tributos | Valor autuado | % |
| IRPJ/CSLL | R$ 137,7 bilhões | 61,2% |
| PIS/Cofins | R$ 42,3 bilhões | 18,8% |
| Contribuição Previdenciária | R$ 15,2 bilhões | 6,8% |
Além disso, a Receita realizou 11 operações especiais em 2025, alcançando mais de 450 alvos, com foco em fraudes estruturadas nos setores de transporte e combustíveis. Entre elas, destacou-se a operação Carbono Oculto, que identificou indícios de atuação do crime organizado nesse mercado.
Como resultado, as ações geraram aproximadamente R$ 1 bilhão em autuações, R$ 2,2 bilhões em bloqueio de bens e R$ 361 milhões em glosas de compensações irregulares.
No campo estrutural, a Receita avançou na implementação de iniciativas relacionadas à Reforma Tributária, incluindo a padronização de documentos fiscais, o desenvolvimento da Calculadora de Tributos e a ampliação da Nota Fiscal de Serviços eletrônica (NFS-e), que já conta com adesão praticamente integral dos municípios brasileiros.
Outro destaque foi o Programa Confia, voltado a grandes empresas, que propõe um modelo baseado em transparência, diálogo e prevenção de riscos fiscais. Após a fase piloto em 2025, a expectativa é de implementação definitiva até o final de 2026.
A Receita também intensificou ações de orientação ao contribuinte, com a divulgação de materiais sobre temas relevantes, como fundos de investimento, atividade rural, apuração de PIS/Cofins e criptoativos.
No âmbito das pessoas físicas, a ampliação das declarações pré-preenchidas do IRPF contribuiu para elevar o nível de conformidade e reduzir inconsistências, especialmente relacionadas à omissão de rendimentos. Em 2025, foram enviados cerca de 397 mil comunicados a contribuintes que não haviam consultado suas pendências.
Os resultados são expressivos: das 3,2 milhões de declarações retidas, 75,2% foram regularizadas espontaneamente, totalizando R$ 2,6 bilhões ajustados sem necessidade de autuação.
Entre as empresas, o movimento também se intensificou. Nos maiores contribuintes, os ajustes espontâneos alcançaram R$ 58,2 bilhões, com crescimento de 27% em relação a 2024. Já entre empresas de médio e pequeno porte, cerca de 101 mil comunicados resultaram em R$ 1,5 bilhão regularizado.
Outro ponto de atenção em 2026 é o aumento da fiscalização sobre ativos no exterior. A Receita utilizará dados obtidos por acordos internacionais para identificar inconsistências.
Após a fase de orientação, contribuintes que permanecerem irregulares estarão sujeitos à fiscalização direta.
O que muda para o Transporte Rodoviário de Cargas
Para o setor de Transporte Rodoviário de Cargas, o cenário exige maior rigor na gestão fiscal e documental.
O aumento no cruzamento de dados pela Receita, aliado ao foco em autorregularização e fiscalização direcionada, amplia a exposição a autuações. Operações com múltiplos prestadores, utilização de créditos tributários e apuração de PIS/Cofins devem permanecer no radar.
A Rumo Brasil acompanha de perto todas as mudanças tributárias que impactam o TRC, oferecendo análises práticas e orientações estratégicas para apoiar empresas na adaptação ao novo cenário fiscal.