O Transporte Rodoviário de Cargas iniciou o segundo trimestre de 2026 enfrentando um novo aumento nos custos operacionais. Em abril, o preço médio do frete por quilômetro rodado chegou a R$ 8,66, contra R$ 7,99 registrados em março, representando uma alta de 8,39%.
Os dados são do Índice de Frete Rodoviário da Edenred (IFR), elaborado a partir das informações da plataforma Repom, e reforçam um cenário de pressão crescente sobre as operações logísticas em todo o país.
Entre os principais fatores responsáveis pelo aumento do frete está a alta do diesel, que segue pressionada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio e pelos impactos na cadeia global de abastecimento de petróleo.
O combustível continua sendo um dos principais componentes do custo logístico brasileiro e influencia diretamente a composição do valor do frete. Sempre que há oscilações relevantes no preço do diesel, os reflexos acabam sendo sentidos rapidamente nas operações de transporte.
Além disso, abril foi o primeiro mês a absorver integralmente a atualização dos coeficientes dos pisos mínimos de frete da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A revisão havia sido implementada em março e elevou os valores de referência do transporte rodoviário.
Isso contribuiu para o repasse dos custos ao mercado e aumentou ainda mais a pressão sobre transportadoras, embarcadores e operadores logísticos.
Atualização da tabela da ANTT ampliou os custos das operações
O impacto do reajuste foi percebido em diferentes segmentos do TRC, principalmente nas operações de longa distância, no transporte de grãos, combustíveis e cargas industriais.
Com o aumento do diesel e a atualização dos coeficientes da tabela da ANTT, transportadoras e transportadores autônomos passaram a operar com custos mais elevados quase imediatamente.
Os coeficientes utilizados pela ANTT servem como base para o cálculo do piso mínimo do frete e consideram fatores importantes da atividade, como:
- Tipo de carga transportada;
- Número de eixos do veículo;
- Distância percorrida;
- Custos operacionais da operação.
Entre os custos considerados estão combustível, manutenção, pneus, pedágios, depreciação da frota e remuneração do motorista.
O objetivo da atualização é recompor as variações dos custos do setor, especialmente as relacionadas ao diesel, que possui forte peso na composição do frete rodoviário.
Cenário aumenta os desafios financeiros das transportadoras
O reajuste também amplia os desafios relacionados à previsibilidade operacional e à gestão financeira das empresas do setor.
Transportadoras que trabalham com contratos de longo prazo ou margens mais reduzidas tendem a sentir maior pressão sobre o fluxo de caixa, principalmente diante da volatilidade dos combustíveis e do crescimento contínuo das despesas operacionais.
Além disso, o aumento do frete impacta diretamente contratos logísticos, renegociações comerciais e o custo final das operações de transporte em toda a cadeia.
Diante desse cenário, torna-se cada vez mais importante que as empresas do TRC tenham controle sobre custos, planejamento tributário e gestão estratégica para reduzir impactos financeiros e manter a competitividade no mercado.