PIB cresce menos em 2025 e acende alerta para o transporte rodoviário em 2026 

Um levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT), com base em dados divulgados pelo IBGE, revela um cenário de desaceleração econômica que já começa a impactar diretamente o setor de transporte e logística no Brasil. 

Segundo o estudo, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 2,3% em 2025, totalizando R$ 12,7 trilhões. Apesar do resultado positivo, o número representa uma desaceleração em relação a 2024, quando o crescimento foi de 3,4%. 

Ainda assim, o país mantém uma sequência de cinco anos consecutivos de expansão econômica após a queda registrada em 2020, mas o novo ritmo acende um alerta importante para o Transporte Rodoviário de Cargas, que depende diretamente da atividade econômica para se movimentar. 

O relatório da CNT reforça um ponto central: o desempenho do transporte está fortemente ligado ao ritmo da economia. 

Em 2025, o setor de serviços cresceu 1,8%, com destaque para transporte, armazenagem e correio, que avançaram 2,1%. Já a agropecuária foi o principal motor do crescimento, com alta de 11,7%, enquanto a indústria registrou expansão mais moderada, de 1,4%. 

Mas o dado mais relevante está na relação entre PIB e transporte. 

A análise mostra uma forte correlação entre os dois, indicando que o setor de transporte não apenas acompanha a economia, mas também reage de forma mais intensa às suas oscilações. Em momentos de crescimento, o transporte tende a acelerar mais rápido. Por outro lado, em cenários de desaceleração, o impacto também é mais sensível. 

Na prática, isso significa que qualquer mudança no ritmo econômico afeta diretamente o volume de cargas, a demanda por frete e a rentabilidade das transportadoras. 

Projeções para 2026 indicam crescimento mais moderado 

Para 2026, a expectativa é de um cenário ainda mais desafiador. 

A CNT projeta crescimento de 1,28% para o PIB brasileiro, enquanto o setor de transporte deve expandir entre 0,37% e 0,97%. Ou seja, a tendência é de um crescimento abaixo da média da economia. 

Esse comportamento é explicado por um fator estrutural: o transporte é uma demanda derivada. Ele depende diretamente das decisões de produção, consumo e investimento de outros setores. 

Com menor atividade econômica, há menos circulação de mercadorias e, consequentemente, menos demanda por transporte. 

Juros altos pressionam investimentos e operação 

Outro ponto crítico do cenário atual é o ambiente de juros elevados. 

Com a taxa Selic em 15% ao ano, o custo do crédito aumenta significativamente, impactando diretamente a operação das transportadoras. A renovação de frota, a expansão da capacidade e os investimentos em tecnologia passam a exigir mais planejamento e cautela. 

Além disso, o crédito mais caro também reduz o consumo e desacelera a indústria, diminuindo ainda mais a demanda por transporte. 

Esse contexto cria um ciclo desafiador: menos investimento, menor atividade econômica e pressão sobre as margens das transportadoras. 

Baixo investimento em infraestrutura continua sendo entrave 

O levantamento da CNT também evidencia um problema estrutural do Brasil: o baixo nível de investimento em infraestrutura. 

A formação bruta de capital fixo (FBKF) representou apenas 16,8% do PIB em 2025, mantendo o país em um patamar historicamente baixo. Para efeito de comparação, a média desde 1996 é de 17,9%. 

No caso específico do transporte, os investimentos federais em infraestrutura seguem limitados. Em 2025, representaram apenas 0,13% do PIB, bem abaixo dos níveis observados no início da década de 2010. 

Nas rodovias, o cenário é semelhante, o investimento correspondeu a apenas 0,10% do PIB. 

Esse nível reduzido de investimento impacta diretamente a eficiência logística, aumentando custos operacionais e reduzindo a competitividade do setor. 

Investimento privado ganha protagonismo 

Diante das limitações fiscais do governo, o investimento privado tem se mostrado um fator essencial para o desenvolvimento da infraestrutura rodoviária. 

Os dados apontam que o retorno econômico do capital privado é significativamente maior. Um aporte inicial de R$ 1,00 pode gerar impacto de R$ 2,58 no PIB do transporte, mais de quatro vezes superior ao retorno do investimento público federal. 

Além disso, o tempo de retorno também é menor. Enquanto o investimento público leva cerca de 18 meses para gerar impacto total, o privado atinge resultados em aproximadamente 9 meses. 

Isso indica maior eficiência na execução, alocação de recursos e ativação da cadeia produtiva. Ainda assim, o relatório reforça que o avanço do setor privado deve ocorrer de forma complementar ao Estado, que continua sendo fundamental no planejamento e na viabilização de projetos estratégicos. 

Com crescimento mais lento, crédito caro e limitações em infraestrutura, será fundamental aumentar a eficiência operacional, otimizar custos e tomar decisões mais precisas com base em dados. 

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