IFRS 18: nova norma exigirá mudanças nas demonstrações financeiras a partir de 2027

A partir de 1º de janeiro de 2027, empresas que adotam as normas internacionais de contabilidade precisarão se adequar à IFRS 18, nova norma emitida pelo International Accounting Standards Board (IASB) que substituirá a IAS 1 e estabelecerá novos critérios para a apresentação e divulgação das demonstrações financeiras. 

No Brasil, as diretrizes da IFRS 18 serão incorporadas por meio do CPC 51, impactando organizações de diferentes portes e segmentos que seguem os padrões internacionais de contabilidade. 

A mudança é considerada uma das mais relevantes dos últimos anos para a área contábil, pois busca aumentar a transparência, a comparabilidade e a qualidade das informações financeiras divulgadas ao mercado. 

O que é a IFRS 18? 

A IFRS 18 é uma norma criada para padronizar a forma como as empresas apresentam seus resultados financeiros. Na prática, ela reduz a subjetividade existente atualmente na classificação de receitas, despesas e indicadores de desempenho, tornando as demonstrações mais consistentes e comparáveis entre diferentes organizações. 

O objetivo é facilitar a análise por investidores, instituições financeiras, órgãos reguladores e demais usuários das demonstrações financeiras. 

Quais são as principais mudanças? 

Uma das alterações mais importantes está relacionada à Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), que passará a seguir uma estrutura mais padronizada. 

A nova norma determina que os resultados sejam classificados em cinco categorias obrigatórias: 

  • Operacional; 
  • Investimento; 
  • Financiamento; 
  • Tributos sobre o lucro; 
  • Operações descontinuadas. 

Além disso, a DRE deverá apresentar dois subtotais padronizados: 

  • Lucro operacional; 
  • Lucro antes do resultado financeiro e dos tributos. 

Essa padronização permitirá análises mais consistentes e comparações mais precisas entre empresas de diferentes setores. 

Novas regras para indicadores gerenciais 

Outro ponto relevante da IFRS 18 envolve as chamadas Medidas de Desempenho Definidas pela Administração (Management Performance Measures – MPMs). 

Indicadores amplamente utilizados pelo mercado, como EBITDA ajustado e outras métricas gerenciais, continuarão podendo ser divulgados. No entanto, a norma exige maior transparência sobre sua utilização. 

As empresas deverão apresentar esses indicadores em nota explicativa específica, contendo informações como: 

  • Critérios de cálculo; 
  • Justificativa para utilização da métrica; 
  • Reconciliação com os valores apurados conforme as normas contábeis. 

A medida busca proporcionar maior clareza aos usuários das demonstrações financeiras e evitar interpretações equivocadas dos resultados apresentados. 

Mudanças na Demonstração dos Fluxos de Caixa 

A IFRS 18 também traz alterações importantes para a Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC). 

No método indireto, o ponto de partida para a elaboração da demonstração passará a ser o lucro operacional. Além disso, a norma estabelece critérios mais específicos para a classificação de juros e dividendos recebidos ou pagos. 

Essas mudanças contribuem para uma maior uniformidade na apresentação dos fluxos financeiros entre as organizações. 

Como as empresas devem se preparar? 

Apesar de a obrigatoriedade da IFRS 18 estar prevista apenas para 2027, o processo de adaptação deve começar com antecedência. Isso porque as demonstrações financeiras precisarão apresentar informações comparativas de 2026 já reclassificadas conforme a nova estrutura estabelecida pela norma. 

As organizações deverão revisar seus planos de contas, adequar sistemas de informação, atualizar políticas contábeis e promover a capacitação das equipes envolvidas. Também será importante avaliar possíveis impactos em indicadores financeiros, covenants e processos internos de divulgação de resultados. 

Diante desse cenário, a recomendação é que as empresas iniciem seus diagnósticos e planos de adequação ainda em 2026, garantindo uma transição estruturada e alinhada às novas exigências regulatórias. 

Conte com a Rumo Brasil para acompanhar as mudanças regulatórias 

As constantes alterações nas normas contábeis, tributárias e regulatórias exigem que as empresas mantenham uma gestão cada vez mais estratégica e atualizada. 

A Rumo Brasil acompanha de perto as principais mudanças que impactam o ambiente empresarial, produzindo conteúdos especializados para auxiliar gestores na tomada de decisão e na adaptação às novas exigências legais. 

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