Grandes embarcadores terceirizam 85% do transporte de cargas: desafios na gestão da cadeia logística

Transportadoras contratadas como terceiras movimentam 85% do volume de carga dos grandes embarcadores brasileiros. O dado é de uma pesquisa realizada em 2026 com mais de 100 empresas dos setores de indústria, varejo e agronegócio. A frota própria responde por 8% do volume transportado, enquanto caminhoneiros autônomos contratados diretamente representam 7%.

O levantamento mostra o peso das transportadoras na operação dos embarcadores. Quando a maior parte do transporte é terceirizada, a gestão logística depende da escolha e do acompanhamento dos parceiros, da disponibilidade de veículos, do controle de custos e da qualidade do serviço prestado.

O que a terceirização do transporte exige dos embarcadores?

A contratação de uma transportadora transfere a execução do transporte para empresas especializadas, mas não elimina os impactos que eventuais falhas podem trazer para o embarcador. Atrasos, indisponibilidade de veículos, aumento do custo do frete e problemas na operação podem afetar diretamente a produção, os estoques e o atendimento ao cliente.

Quando consideramos os desafios relacionados à disponibilidade de motoristas e à idade da frota brasileira, a terceirização tem um peso ainda maior. Em períodos de maior demanda, a capacidade disponível pode se tornar um fator crítico para a continuidade das operações. Por isso, a contratação de transporte deixa de estar baseada exclusivamente no menor preço.

Piso Mínimo de Frete pressiona os custos da cadeia logística

A pesquisa também aponta que 55% das grandes empresas embarcadoras aumentaram seus gastos com frete rodoviário especificamente em razão da regulamentação do Piso Mínimo do Frete. Outros 9% registraram aumento por fatores diferentes e 35% não identificaram elevação.

Para o Transporte Rodoviário de Cargas, esse cenário reforça a importância de uma gestão cada vez mais estruturada dos custos e da conformidade das operações.

O que os dados significam para as transportadoras?

A elevada participação das transportadoras na movimentação das cargas aponta que a eficiência do embarcador está diretamente relacionada à capacidade de sua rede de fornecedores. Para as transportadoras, esse ambiente representa uma oportunidade de ampliar sua participação na cadeia logística, mas exige maior controle sobre custos, capacidade operacional, documentação, obrigações regulatórias e qualidade do serviço.

Os 7% correspondentes à contratação direta de caminhoneiros autônomos devem ser lidos com cuidado pois o percentual pode não representar, necessariamente, toda a participação desses profissionais na movimentação das cargas dos grandes embarcadores. Parte dos autônomos pode atuar como terceiro das próprias transportadoras contratadas, permanecendo, portanto, inserida em uma etapa posterior da cadeia de prestação do serviço.

O levantamento demonstra, assim, que os grandes embarcadores mantêm uma participação cada vez menor na operação direta dos veículos, enquanto aumentam sua dependência de uma rede de transportadores capaz de garantir capacidade, previsibilidade e cumprimento das exigências operacionais e regulatórias.

Para o TRC, esse movimento reforça a importância da gestão de custos, monitoramento das operações, conformidade com o Piso Mínimo de Frete e governança da cadeia de transporte, especialmente em um cenário de pressão por eficiência e aumento da complexidade regulatória.

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn

Menu Principal

Soluções

Unimos nosso know-how em estratégias corporativas de gestão à expertise no segmento, e desenvolvemos, soluções inovadoras de alto impacto e resultado para nossos clientes.