Os valores de frete praticados no mercado apresentam uma defasagem média de 10,5% em relação aos custos efetivos das operações de Transporte Rodoviário de Cargas (TRC). O dado reforça um cenário que exige atenção das transportadoras: enquanto os custos operacionais continuam avançando, os preços negociados nem sempre acompanham essa evolução.
As informações foram divulgadas pela NTC&Logística, no Comunicado CONET de agosto de 2026, que reúne dados sobre a evolução dos custos e das condições do transporte rodoviário de cargas no período.
Custos do transporte avançaram em 2026
O cenário ganhou ainda mais relevância no primeiro semestre de 2026, marcado pelo aumento de diferentes componentes que fazem parte da operação de transporte.
Entre os principais impactos está o combustível. No acumulado do primeiro semestre, o preço dos combustíveis registrou alta de 17,63%. No mesmo período, os custos relacionados ao caminhão aumentaram 1,32%, enquanto a mão de obra apresentou elevação de 5%.
Quando analisado o acumulado dos últimos 12 meses, o comportamento dos custos também chama atenção. O transporte de carga lotação registrou aumento de 8,36%, enquanto o transporte fracionado apresentou alta de 8,19%.
Nos dois casos, a evolução ficou acima do IPCA, que acumulou 4,64% no período. Isso significa que transportar ficou mais caro, mas os valores cobrados pelo serviço não acompanharam integralmente esse aumento.
Quando o preço negociado com o cliente não é suficiente para cobrir os custos reais da operação, a diferença acaba sendo absorvida pela própria transportadora.
Esse cenário reduz a margem e, quando se prolonga, pode comprometer a capacidade da empresa de realizar investimentos importantes para manter a operação.
A consequência não está apenas no resultado financeiro. Uma margem pressionada pode dificultar a manutenção e renovação da frota, os investimentos em segurança, a contratação e retenção de profissionais e outras melhorias necessárias para garantir a qualidade do serviço.
Por isso, analisar apenas o valor final do frete pode não ser suficiente para entender se uma operação é, de fato, rentável.
Formação do frete precisa considerar todos os custos
A revisão do frete deve ir além do valor básico cobrado pelo transporte. Para chegar a uma tarifa adequada, é necessário considerar os diferentes componentes que fazem parte de cada operação.
Entre eles estão itens como Frete-Valor, GRIS, TSO, custos de gerenciamento de riscos, cubagem, taxas, serviços adicionais e outras particularidades relacionadas ao transporte realizado.
Esses componentes podem variar de acordo com o tipo de carga, distância, características da operação, nível de risco e condições estabelecidas entre transportador e contratante.
Por isso, não existe necessariamente uma tarifa que possa ser aplicada de forma igual a todas as operações. A formação do frete precisa refletir a realidade de cada transporte.
Outro fator que merece atenção é o impacto financeiro provocado pelos prazos de pagamento.
Entre a realização do transporte e o recebimento pelo serviço existe um intervalo que também representa um custo para a transportadora. Em um cenário de juros elevados, esse efeito financeiro pode se tornar ainda mais relevante.
Por isso, a análise da rentabilidade de uma operação deve considerar não apenas quanto será recebido, mas também quando esse valor será efetivamente recebido.
A defasagem média de 10,5% identificada no levantamento reforça a necessidade de transportadoras avaliarem periodicamente seus custos e os valores praticados em suas operações.
Além de acompanhar o preço de mercado, é importante entender se o valor negociado é suficiente para cobrir todos os custos envolvidos e preservar uma margem adequada.
Para os contratantes, essa análise também é importante. Um frete subdimensionado pode parecer vantajoso no momento da negociação, mas pode gerar impactos ao longo da cadeia logística quando não permite que o transportador mantenha sua estrutura operacional de forma sustentável.
Frete adequado é parte de um transporte sustentável
A recomposição adequada do frete não está relacionada apenas à rentabilidade da transportadora. Ela também contribui para a continuidade e a qualidade do serviço prestado.
Uma operação economicamente sustentável cria condições para que as empresas mantenham suas frotas, invistam em segurança, renovem equipamentos, desenvolvam suas equipes e continuem aprimorando seus processos.
Por isso, a formação do frete precisa considerar a realidade operacional de cada transporte, e não apenas o preço praticado pelo mercado.
Frete adequado é condição para um Transporte Rodoviário de Cargas sustentável.
A Rumo Brasil atua de forma especializada no Transporte Rodoviário de Cargas, apoiando transportadoras na análise de custos, formação de preços e tomada de decisões estratégicas.
Em um cenário de pressão sobre as margens, compreender os custos reais de cada operação e estruturar corretamente o frete é fundamental para transformar preço em resultado.