O debate sobre o fim da escala 6×1, modelo de trabalho com seis dias de atividade e um de descanso, ganhou força no Congresso Nacional com a tramitação da PEC 8/25 e da PEC 221/19. Para o setor de Transporte Rodoviário de Cargas, a possível mudança pode trazer impactos relevantes na organização das operações e na estrutura de custos das transportadoras.
Responsável por grande parte do abastecimento nacional, o transporte rodoviário depende de uma operação contínua e altamente planejada. Alterações na jornada de trabalho, especialmente sem mecanismos de adaptação para o setor, podem exigir ajustes significativos na gestão de equipes, escalas e contratos logísticos.
Escassez de motoristas preocupa o setor
Uma das principais preocupações das entidades representativas do transporte é a já conhecida escassez de mão de obra qualificada, especialmente de motoristas profissionais.
O Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região (SETCESP) alerta que mudanças estruturais na jornada de trabalho, sem aumento proporcional na oferta de profissionais, tendem a ampliar o déficit existente. Na prática, se a carga horária semanal for reduzida, as transportadoras podem precisar contratar mais motoristas para manter o mesmo nível de operação.
Essa necessidade de novas contratações pode aumentar os custos trabalhistas e administrativos das empresas, pressionando ainda mais a estrutura financeira do setor.
Impactos operacionais e logísticos
A preocupação também é compartilhada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), que aponta que muitas empresas já enfrentam dificuldades para contratar não apenas motoristas, mas também mecânicos, profissionais de manutenção e gestores operacionais.
Nesse cenário, uma eventual redução da jornada pode gerar desafios adicionais para manter a regularidade das operações logísticas. Sem ajustes estruturais ou mecanismos compensatórios, a mudança pode comprometer a previsibilidade das entregas e exigir uma reorganização das escalas de trabalho.
Possível aumento no custo do frete
Do ponto de vista econômico, mudanças na estrutura de jornada tendem a refletir diretamente nos custos operacionais das transportadoras.
Despesas adicionais com contratação de profissionais, encargos trabalhistas e reorganização de equipes podem impactar a estrutura de custos das empresas. Como consequência, esses custos costumam ser incorporados aos contratos de frete e, ao longo da cadeia logística, acabam sendo repassados ao consumidor final.
Considerando que o Brasil depende fortemente do modal rodoviário para o transporte de mercadorias, qualquer alteração estrutural no funcionamento do TRC pode gerar efeitos amplos na economia e na dinâmica do abastecimento nacional.
Debate sobre negociação coletiva
Diante desse cenário, entidades do setor defendem que eventuais mudanças na jornada de trabalho sejam tratadas por meio de negociação coletiva. Esse modelo permite ajustar condições de trabalho às realidades regionais e às especificidades da atividade transportadora.
Além disso, representantes do setor argumentam que alterações dessa magnitude precisam estar inseridas em um debate mais amplo sobre a modernização da legislação trabalhista, com análise técnica dos impactos econômicos e sociais.
O tema também vem sendo discutido sob a perspectiva da agenda ESG, especialmente no pilar social.
A Associação Brasileira de Operadores Logísticos (ABOL) avalia que a redução da jornada pode representar avanços no equilíbrio entre vida profissional e pessoal dos trabalhadores. No entanto, especialistas destacam que eventuais benefícios dependerão da implementação de políticas estruturadas de valorização, capacitação e retenção de profissionais, além de segurança jurídica para as empresas.
O que esperar da tramitação
As propostas seguem em análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e ainda precisarão passar por outras etapas legislativas antes de uma eventual aprovação.
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, já mencionou a pauta como uma prioridade política, defendendo a ampliação do descanso semanal diante das transformações no mundo do trabalho.
Para o Transporte Rodoviário de Cargas, acompanhar essa discussão se torna essencial. A possível extinção da escala 6×1 pode representar uma transformação estrutural na organização operacional das transportadoras, com impactos diretos em custos, contratos e competitividade logística no país.
Como a Rumo Brasil apoia transportadoras diante de mudanças regulatórias
Mudanças legislativas e trabalhistas exigem atenção estratégica das empresas do setor de transporte. Avaliar impactos operacionais, revisar processos e antecipar riscos pode fazer a diferença na sustentabilidade do negócio.
A Rumo Brasil é a única consultoria especializada exclusivamente no TRC. Com atuação integrada, a empresa ajuda transportadoras a compreender cenários regulatórios, reduzir riscos e identificar oportunidades de eficiência e recuperação de recursos.
Se sua transportadora busca mais previsibilidade e segurança para enfrentar mudanças no ambiente regulatório, contar com uma consultoria especializada pode ser um passo importante para manter a competitividade no setor.