O Transporte Rodoviário de Cargas (TRC) começou 2026 com novos desafios no radar. Segundo o Índice de Frete Rodoviário (IFR), o valor médio do frete por quilômetro rodado encerrou janeiro em R$ 7,61, registrando alta de 2,28% em relação ao mês anterior e marcando a terceira elevação mensal consecutiva.
O movimento reforça um cenário de pressão sobre custos e margens, exigindo das transportadoras ainda mais atenção na gestão financeira e na formação de preços.
Aumento do ICMS sobre combustíveis impacta diretamente o frete
A principal explicação para a alta está no aumento do ICMS incidente sobre combustíveis. Mesmo com o anúncio de redução no preço-base do diesel pela Petrobras em janeiro, o efeito tributário acabou prevalecendo nas bombas, impedindo que a queda chegasse de forma relevante ao transportador.
Como o diesel representa um dos principais componentes da estrutura de custos do TRC, qualquer variação tributária tem reflexo imediato no preço do frete e na rentabilidade das operações, pressionando especialmente empresas com menor capacidade de repasse.
Nova tabela do piso mínimo de frete reforça tendência de alta
Outro fator importante foi a publicação, em 20 de janeiro, da nova tabela do piso mínimo de frete pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O reajuste, superior a 3%, trouxe também alterações na metodologia de cálculo.
Embora tenha passado a valer apenas na segunda quinzena do mês, os impactos já começaram a aparecer e devem se intensificar ao longo do ano, principalmente em contratos que preveem atualização automática com base na tabela oficial.
Cenário exige revisão contratual e gestão estratégica
Para as transportadoras, a combinação entre aumento do ICMS e reajuste do piso mínimo reforça a necessidade de revisão de contratos, planejamento financeiro mais rigoroso e acompanhamento constante da estrutura de custos.
Empresas que operam com margens mais estreitas ou com contratos desatualizados tendem a sentir com mais intensidade os efeitos no curto prazo, o que torna essencial uma atuação estratégica para preservar a sustentabilidade das operações.
Um ambiente mais complexo para o TRC em 2026
O início de 2026 sinaliza um ambiente econômico mais desafiador para o setor, no qual variáveis tributárias e regulatórias seguem exercendo influência direta na formação do preço do frete.
A expectativa é de que o mercado acompanhe de perto os próximos movimentos relacionados à política de combustíveis e à aplicação da nova metodologia do piso mínimo, fatores que continuarão sendo decisivos para a saúde financeira das transportadoras ao longo do ano.