O recente aumento no preço do diesel, impulsionado por tensões geopolíticas envolvendo os EUA e o Irã, já começa a gerar impactos relevantes no Transporte Rodoviário de Cargas (TRC) no Brasil. Como reflexo direto, o mercado já registra reajustes nos valores de frete em diversas regiões do país.
Em média, os aumentos giram em torno de 10%, mas, em alguns casos, podem chegar a até 50%, dependendo da rota e da operação. Esse movimento reforça o quanto o setor é sensível às oscilações no custo do combustível.
O diesel representa uma das maiores parcelas da estrutura de custos das transportadoras, podendo chegar a cerca de 50% do custo operacional total. Por isso, qualquer variação no preço tem impacto quase imediato na formação do frete.
Diante desse cenário, o repasse dos custos aos contratantes se torna inevitável. Esse efeito em cadeia pressiona embarcadores e, na ponta, o consumidor final, tornando produtos e serviços mais caros.
Representantes do setor apontam que a recomposição das tabelas de frete já é uma realidade e tende a se intensificar caso o cenário de instabilidade internacional continue afetando o preço do combustível.
Dependência do modal rodoviário amplia impactos
A forte dependência do Brasil pelo TRC agrava ainda mais a situação. Atualmente, cerca de 60% de toda a carga movimentada no país passa pelas rodovias.
Essa característica estrutural faz com que qualquer aumento no diesel tenha efeitos amplificados sobre a logística nacional, reduzindo a previsibilidade de custos e impactando diretamente a competitividade das empresas.
Os impactos já começam a aparecer de forma prática em alguns segmentos. No setor agropecuário, por exemplo, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) informou o cancelamento de contratos de frete devido ao aumento dos custos com combustível.
Além disso, outras operações estão sendo reavaliadas como forma de evitar prejuízos e garantir a continuidade do abastecimento, especialmente em programas voltados ao acesso de pequenos produtores a insumos.
Em paralelo, a Petrobras informou que suas refinarias estão operando com capacidade máxima e que houve antecipação na entrega de combustíveis, com volumes acima do inicialmente programado.
Segundo a estatal, o objetivo é garantir o atendimento da demanda e cumprir integralmente os compromissos comerciais, diante do aumento na procura por diesel.
O que as transportadoras devem fazer agora?
Diante de um cenário de alta volatilidade no preço do diesel, a atenção à gestão de custos se torna ainda mais estratégica. Revisar contratos, reavaliar operações e acompanhar de perto a formação do frete são medidas essenciais para manter a saúde financeira da operação.
Mais do que nunca, decisões baseadas em dados e planejamento operacional eficiente fazem a diferença em um mercado cada vez mais pressionado por variáveis externas.