ANTT passa a exigir verificação automática de seguros e pode barrar transportadores irregulares 

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) iniciou uma nova fase de modernização no Transporte Rodoviário de Cargas. A principal mudança envolve a implementação de um sistema de verificação automática dos seguros obrigatórios, integrado diretamente ao Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC).  

Isso significa que a regularidade dos seguros passará a ser acompanhada em tempo real, e poderá impactar diretamente a operação de transportadores em todo o país. 

A medida tem como base a Lei nº 14.599/2023 e reforça a obrigatoriedade de contratação e manutenção de três seguros essenciais para a atividade: 

  • Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário de Carga (RCTR-C); 
  • Responsabilidade Civil por Desaparecimento de Carga (RC-DC); 
  • Responsabilidade Civil de Veículo (RC-V). 
     

A grande mudança está na forma de fiscalização. Com a integração entre seguradoras e ANTT, as informações das apólices serão enviadas automaticamente via sistema, reduzindo falhas, omissões ou inconsistências. 

Cronograma de implementação 

O novo modelo será implantado em duas etapas: 

A fase de homologação começou em 10 de março de 2026 e segue até 30 de junho de 2026. Durante esse período, serão realizados testes de integração entre seguradoras e ANTT, com foco na adaptação do setor. 

Já a partir de 1º de julho de 2026, o sistema entra em operação definitiva. A partir dessa data, a regularidade dos seguros passa a ser condição obrigatória para inscrição e manutenção no RNTRC. 

Na prática, transportadores que não estiverem em conformidade poderão ser impedidos de operar. 

Impactos para transportadores e empresas 

O impacto da medida tende a ser relevante para todo o setor. 

Com a verificação automatizada, não haverá mais espaço para falhas na comprovação dos seguros. Isso aumenta o nível de fiscalização e exige maior rigor na gestão documental e contratual. 

Para os Transportadores Autônomos de Cargas (TAC), o impacto pode ser ainda mais sensível. Muitos desses profissionais operam com menor estrutura administrativa, e a exigência de regularidade contínua pode trazer desafios financeiros e operacionais, principalmente com a inclusão do seguro RC-V como obrigatório. 

Já para empresas de transporte e operadores logísticos, a mudança eleva o nível de compliance na cadeia. A validação automática reduz riscos jurídicos, mas também exige revisão de processos internos, especialmente na contratação e homologação de terceiros. 

Há impacto tributário? 

Até o momento, não há indicação de mudanças na carga tributária do setor. 

A medida tem caráter regulatório e operacional. Ainda assim, pode gerar impactos indiretos, como aumento de custos e necessidade de ajustes na gestão das empresas. 

Por outro lado, a iniciativa tende a trazer benefícios importantes, como: maior segurança jurídica, redução de fraudes, mais rastreabilidade nas operações e maior proteção das cargas transportadas.  
 

O que as empresas devem fazer agora 

Mesmo antes da obrigatoriedade entrar em vigor, o ideal é que transportadores, embarcadores e operadores logísticos iniciem o quanto antes um processo de adequação. 

A recomendação é revisar contratos, apólices de seguro e processos internos ainda durante a fase de homologação. Essa antecipação é essencial para evitar riscos de interrupção das atividades a partir de julho de 2026. 

O cenário regulatório do Transporte Rodoviário de Cargas está em constante evolução, e acompanhar essas mudanças é fundamental para manter a operação segura e competitiva. 

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